Há muito a fazer, do dito e do não dito

Matéria especial do Diarinho da segunda-feira, 1º, mostra aspectos dos primeiros seis meses do atual governo de Balneário Camboriú e que são interessantes de serem mostrados.

Fala, por exemplo, da anunciada fila dos exames e consultas, ditas e havidas como “zeradas”. A recomendação da própria gestora do Fundo Municipal de Saúde, Ionice Amaral é evitar o anúncio de “zerar”, pois não é adequado, dado que a demanda nunca para.

Quanto aos exames médicos, a demanda reprimida em dezembro de 2016 era de 11.339 e atualmente é de 8.824. Nas consultas médicas, apesar de todos os atendimentos em mutirão, o número atual em espera é de 13.389; em dezembro era de 16 mil.

Nisso, foram gastos R$ 5,5 milhões. O esforço valeu, mas a idéia de zerar é furada. O uso foi apenas midiático. E demagógico. Vendeu-se um produto impossível de ser entregue à opinião pública.

Doutra parte, na educação também falhou a bombástica compra de vagas em creches privadas, porque as exigências do edital não puderam ser cumpridas pela maioria das entidades privadas (19). Somente sete se adequaram, resultando em 271 vagas, das 436 desejadas. A demanda reprimida é de 1.100 crianças na lista de espera de vagas. Se não construir novos núcleos, não resolve. Foi um tiro n’água. A questão é que terá que chamar novos professores, alguns já concursados e no aguardo. Contratar vagas da iniciativa tem um limite e uma insuficiência naturais e reconhecidas. Ter isso como uma solução é, por baixo, um argumento enganoso. Nunca haverá suficiência.

A matéria aborda também (já falamos disso aqui), no inchaço de cargos comissionados no quadro da prefeitura. Dos 250 detectados no Portal da Transparência, 178 são indicados de fora, os demais efetivos no exercício dos cargos. Indicações, aliás, nem sempre voltadas à competência ou capacidade técnica. Só na Emasa, por exemplo, há oito coordenadores de limpeza urbana e um gerente de resíduos sólidos – cargos inúteis, pois a limpeza urbana não está mais na Emasa. Um coordenador destes ganha R$ 3,5 mil mensais e o gerente de resíduos sólidos, R$ 7,0 mil. Já um bom salário exercendo a função. Imagine-se não exercendo.

Discute-se agora a compra de asfalto para recuperar a cidade da buraqueira geral. Segundo denúncia do MP, a empresa contratada não cumpriu a espessura mínima das camadas nas ruas e, por isso, o pavimento estaria hoje com problemas sérios. Mas isto vem já desde 2016 e foi uma linguagem fartamente usada na campanha. O que ocorre é que, ante críticas, a administração trata de responsabilizar o governo anterior pela obra indevida. Aceitando-se o argumento, diga-se também que esta foi a linguagem usada na campanha – a de significar uma mudança e uma recuperação. Continuar culpando não resolve nada. Para isto foram votados e eleitos. Olhar no retrovisor não ajuda a visão da meta.

Na segurança, apesar dos laudatórios discursos e inobstante estar merecendo boas referências a atividade da Guarda Municipal (exceto os conflitos tolos com a Polícia Militar), aguarda-se a promessa de chamar os guardas já aprovados em concurso, para levar o efetivo para os desejados 200 GMs.

O jornal tocou no projeto “Prefeitura nos Bairros” ou “Prefeitura Perto de Você”. O detalhe é que apenas dois desses projetos foram realizados em dois meses. Se for com esse interregno entre um e outro, todos os bairros serão visitados em mais da metade do governo. Ou dois anos.

E então vem a bomba: a secretária da Educação, Denize Leite, foi demitida. Certamente não por acaso. As acusações, não comprovadas, referem-se, até, a falta de merenda nas escolas, demissões indevidas e perseguições políticas. Dá pra desconfiar desde quando disseram que ela “estava prestigiada”. É o pior sinal.

É bom o governo de Fabrício de Oliveira acertar as velas do barco pra pegar o vento da maneira certa. Ou pega a rota errada.