Contas estão estouradas

O assunto é público, mas a sua amostragem é meio envergonhada, embora represente uma possibilidade enorme de causar um impacto forte na administração de Balneário Camboriú. Trata-se da advertência do Tribunal de Contas do Estado, segundo a qual o município já ultrapassou em 90% o limite prudencial da folha de pagamentos no primeiro semestre de 2017. 

Os 5,6 mil servidores consumiram R$ 308 milhões de reais com salários e encargos (51,3%), pois no início do ano os servidores receberam um reajuste combinado anteriormente.

Mas a situação ficou ruim porque, doravante, o orçamento ficará praticamente engessado, não se podendo executar nada em relação a funcionalismo. E é muito possível que, a perdurar a situação, ano que vem nem se possa conceder o reajuste de lei. Nem ele, sob pena de punição por ultrapassar o limite máximo de comprometimento de folha (54%). 

A saída é praticar uma política de severa redução de despesas, seja mediante redução de serviços ou demissão de cargos comissionados. O que não resolve muito, é verdade, mas há outra saída: aumentar a arrecadação. E então os cidadãos vão ficar na expectativa do significado e dos contornos desse aumento de arrecadação, pois certamente pesará no bolso. Em gestão pública há pouco a fazer com uma máquina inchada. Ou reduz o quadro funcional ou deixa de prestar serviços essenciais ou deixa de executar obras. Elevar encargos tributários é a saída mais antipática possível, mas pode ser a única.