Fabrício não disparou

Pois é. Oito meses, praticamente, e o governo do prefeito Fabrício de Oliveira ainda não disparou, como se imaginava fosse acontecer após tantas expectativas.

Já mutilou bastante a equipe original com mudanças muito esquisitas e impróprias, como no caso da saída de Ary de Souza da Secretaria de Articulação – para, surpreendentemente, cogitarem colocar lá alguém do PMDB, partido de oposição (indicação pessoal, sem origem no partido, que continua oposição).

Ainda não subiu os degraus esperados. Agora, enfrenta uma contradição, formulada em postagem na Internet por Luiz Filipe Goldfeder Reinecke, um dos líderes de um grande projeto de economia solidária, movimento que, diz ele, foi olimpicamente ignorado pelo prefeito em remessa de projeto à Câmara sobre o tema.

Diz Luiz Filipe na sua postagem, que auto-explica tudo:


Não estou entendendo o governo Fabrício: política de desenvolvimento econômico na pasta de Assistência Social?

Muitos sabem que contribuo no debate de políticas públicas do município e tenho apoiado iniciativas do governo, porém não posso deixar de me posicionar em momentos em que vejo que estão falhando ou pior que isso ver o governo atropelar movimentos sociais da cidade.

O prefeito sinaliza ao movimento da Economia Solidária de Balneário Camboriú que a Economia Solidária será uma política de Desenvolvimento Econômico Sustentável em seu governo, e que será importantíssimo para o incentivo ao empreendedorismo e meses depois a ÚNICA ação concreta da gestão do município é uma proposta de emenda a Lei Municipal de Economia Solidária vinculando a mesma na pasta de Assistência Social?

Só contando as vezes em que eu estive discutindo Economia Solidária com o governo foram ao menos duas audiências com o prefeito sobre o assunto, e diversos encontros com membros do governo tentando encaminhar pela chamada do Conselho Municipal de Economia Solidária que teria legitimidade para indicar "onde" seria a pasta que articularia a política municipal de Economia Solidária, até porquê o "onde" dependeria ainda da reforma administrativa que não foi apresentada para a sociedade e que no governo está que nem a história do Caviar da música do Zeca Pagodinho.

Ou seja, o governo encaminha pro legislativo uma alteração da lei sem chamar o movimento da Economia Solidária e outros movimentos (economia criativa e cultura) para o debate e vincula a política municipal de Economia Solidária a uma pasta antes de apresentar à sociedade a dita "reforma administrativa" (que poderá mudar novamente o vinculo da política de Economia Solidária de pasta).

Alguém consegue me explicar isso?


Além de comunicar mal, há mais coisas a serem corrigidas dentro do governo: transparência e respeito aos movimentos sociais, tidos e havidos como importantes forças auxiliares espontâneas de qualquer gestão.