Rio Peroba é uma vala e está morto: nele corre tudo, menos água

O Rio Peroba, que margeia os dois municípios, um dos afluentes do Rio Camboriú, está morto, é uma vala onde escorre tudo, menos água.

Diácono José Domingos dos Santos Neto, ao falar na Justificativa do Ato Público, em Camboriú, dia 4 de outubro, no lançamento da Campanha da Fraternidade, sob o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. E um dos Biomas é a Mata Atlântica.

Na ocasião, um abaixo assinado contendo um diagnóstico completo dos desastres ecológicos que nos rodeiam, com 5.924 assinaturas (obtidas em 40 dias) e mais de 400 páginas, foi apresentado e entregue às autoridades (e a gente espera que não sejam enfiado em gaveta e seja minimamente lido e contextualizado nas ações práticas).

A fala do diácono resume o conteúdo e os apelos do documento:

1. Recuperação imediata da mata ciliar às margens do Rio Camboriú, em sua total extensão;

2. Preservação dos manguezais, considerados legalmente áreas APP, proibindo qualquer tipo de retirada e/ou construção.

3. Depósito e reciclagem do lixo em local adequado;

4. Proibição e fiscalização rigorosa dos descartes à beira de estradas, nas matas, nas calçadas, às margens de rios e nascentes, de qualquer tipo de móveis e eletrodomésticos.

5. Fiscalização pelo Poder Público das saídas dos esgotos domésticos, sua destinação adequada e constatação de existência das necessárias fossas filtro;

6. Exigência, pelo Poder Público dos Municípios de Camboriú e de Balneário Camboriú, do fiel cumprimento de todos os requisitos e da infraestrutura, respectivas regularizações dos loteamentos existentes, inclusive de loteamentos, eventualmente irregulares nas áreas rurais;

7. Reforçar a proposta do desmatamento zero, inclusive nos manguezais;

8. Exigência de implantação das políticas de saneamento básico em toda área urbanizada e rural deste bioma nos Municípios de Camboriú e Balneário Camboriú-SC;

9. Despoluição do Rio Camboriú e seus afluentes.

Diante dos itens acima elencados, podemos perceber que o Rio Camboriú gera a maior preocupação. Importante lembrar que mais de 200.000 pessoas, no inverno e mais de 1.000.000 no verão, se utilizam diariamente da água deste grande rio, agonizante é claro! Mas que espera de forma urgentíssima por uma “medicação” adequada para sobreviver. Aliás, neste caso somos todos “médicos”.

Sobre as pontes passam milhares de pessoas todos os dias, mas o devido olhar e valor por nós não lhe é dedicado. É mais um dia, é mais um rio, não se faz ligação com nossas vidas, nossa sobrevivência.

“Nossas águas que saem de nossos vasos sanitários “in natura”, são as mesmas que retornam para as nossas torneiras de nossas cozinhas”. 

O Rio Peroba, que margeia os dois municípios, um dos afluentes do Rio Camboriú, está morto, é uma vala onde escorre tudo, menos água.

Não podemos nos esquecer de que este rio, o Rio Camboriú, é a única “artéria” natural criada por Deus, que mesmo agonizando em seu leito, abastece água, levando vida a tantas pessoas, cujas atitudes precisam ser fiscalizadas. Suas águas antes cristalinas, hoje escuras, um verdadeiro depósito de lixo, de eletrodomésticos e dejetos humanos. Precisamos refletir, mas principalmente agir. Segundo um dos trabalhos científicos ao referido documento anexado, assinala o ponto mais poluído do rio, ele está situado no ponto de coleta da água, essa que nós bebemos.

Não queremos apontar culpados, o que se quer é uma solução para o problema. É costume se voltar para os mais fracos, agricultores e agricultoras, que lutam diariamente para sobreviver, o problema segundos os estudos não está na área rural, mas se localizada principalmente e quase que exclusivamente na área urbana.

Vivemos em uma cidade, onde quase 100%, para não dizer em sua totalidade o esgoto é despejado no rio sem nenhum tratamento. Não existe esgoto tratado. E mais, muitas residências urbanas não possuem fossa filtro.

Fiscalizar dialogando, fiscalizar conscientizando, e por último se necessário for fiscalizar punindo. Dizia um amigo meu: “Fazer projetos dentro do terreno do outro é fácil”, por isso toda atitude a ser tomada como poder público ou como Igreja tem que ter como centralidade o diálogo.

Onde estão os nossos manguezais? Áreas de APPs, que não podem se mexidas. Que antes margeavam praticamente todo o rio. Loteamentos em áreas rurais e urbanas, segundo informações colhidas, irregulares! As matas ciliares. Cadê? Que antes margeavam praticamente todo o rio. Temos que analisar de forma racional os desmatamentos e a remoção de terras. Montanhas desaparecendo em detrimentos de aterros feitos de forma desenfreada as margens do rio Camboriú. O capital sobrepondo à natureza, a vida. 

Nossas estradas do interior estão sendo vítimas da “burrice” humana e da impunidade, pois lixos são depositados à beira destas estradas (madeira, móveis, gesso, eletrodomésticos, plásticos) muitos depositados a poucos metros de riachos e cachoeiras, afluentes do rio moribundo. Não são pessoas que moram no interior que cometem este tipo de barbárie, são pessoas que saem da área urbana, na calada da noite, e que se colocam a prestar um desserviço à sociedade e a si próprio.

A palavra solução não pode deixar de ressoar em nossas mentes, esta palavra tem que nos impulsionar a atitudes concretas na recuperação, na revitalização da natureza local, bem como devolver a vida ao nosso imprescindível rio.

O Projeto produtor de Aguas é quase uma realidade, uma luz no fundo do túnel, já é visto com bons olhos pelos colonos do nosso interior, em especial do município de Camboriú. Vem sendo conquistado como base na parceria, na conscientização e no diálogo. Já serve como exemplo de superação.

Portanto, Senhores e Senhoras, autoridades aqui presentes, temos que reagir, caso contrário não teremos água para abastecer e qualidade de vida para nossos descendentes.

Nada pertence a nós, tudo pertence a Deus, somos passageiros, por isso devemos medir todos os esforços possíveis para melhorar o que ai está.

Finalizando, não deixem nas gavetas 400 páginas de apelos e gritos pela vida.