América Latina com tendência eleitoral à direita

ESTADÃO

Operações militares no País triplicam desde 1990

O uso de militares no combate ao crime organizado aumentou pelo menos três vezes nesta década na comparação com os anos 1990. O Estado analisou dados das Forças Armadas desde 1992, quando os militares ocuparam pela primeira vez uma cidade – o Rio – para garantir a segurança da Eco-92. Ao todo, foram 181 ações do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e do Ministério da Defesa nos últimos 25 anos – a maioria de Garantia de Lei e da Ordem. Se nos anos 1990 o Exército era chamado para impedir a ação de saqueadores e bandidos durante as greves de policiais, hoje é convocado até para revistas em presídios. Documentos das Forças Armadas alertam para os riscos de seu emprego no combate ao crime. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirma que o modelo de ocupação de uma área pelo Exército está encerrado, ao menos na atual gestão, e as Forças Armadas continuarão a atuar “sob demanda”.

Crime organizado é o maior problema

O crime organizado foi o principal “agente perturbador da ordem” nas ações realizadas pelos militares, segundo dados compilados pelo Estado, respondendo por 25,9% do total. Em seguida, vêm a ameaça terrorista, com 23,2%, as greves de policiais e caminhoneiros (16,5%) e as manifestações (7,1%).

Escândalos e virada à direita marcarão ano eleitoral na AL

As eleições de 2018 em vários países de peso da América Latina, como Brasil, Colômbia, México e Venezuela, deverão ocorrer sob a influência de escândalos de corrupção, de forças de fora da política tradicional e de uma eventual guinada do eleitorado à direita. “Há impaciência dos eleitores”, diz Fiona Mackie, diretora de América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU). “Eles estão cansados.”

Coluna do Estadão - Partido grande quer barrar fundo na eleição

Os grandes partidos poderão fazer uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar barrar o uso de recursos do fundo partidário na campanha deste ano. A justificativa é que eles têm de investir o dinheiro para pagar contas do dia a dia, enquanto os pequenos poupam para despejar na campanha de seus candidatos.

Finanças pessoais - COM O PÉ NO RISCO E O OLHO NAS URNAS

O tombo da taxa básica de juros para 7% ao ano continuará a desafiar os investidores em 2018. A migração para aplicações de risco, como os fundos multimercados e a Bolsa, iniciada em 2017, deverá se acentuar. Mas, com as incertezas típicas de anos eleitorais, os analistas recomendam cautela. “2018 vai ter muita turbulência para quem não gosta de fortes emoções”, diz Alan Ghani, da escola de negócios Saint Paul.

FOLHA

Dois em cada três latinos terão novo governo em 2018

Com rumos díspares, países da região realizarão pleitos neste ano, sem promessa de ondas de esquerda ou direita.
Cerca de 425 milhões de latino-americanos, ou 2 de cada 3 habitantes da região, se preparam para a transição de governos em 2018.
Além do Chile, que já elegeu o centro-direitista Sebastián Pinera para substituir em março a centro-esquerdista Michelle Bachelet, outras 3 das 5 maiores economias da região irão às urnas — a Argentina é exceção.
México e Colômbia — onde não há reeleição —, além do Brasil, elegerão seus novos presidentes. Importante parceiro comercial brasileiro no Mercosul, o Paraguai decidirá se manterá ou não o tradicional Partido Colorado no comando do país.
Em Cuba, a renovação não virá das umas. O ditador Raúl Castro, 86, deve deixar o posto para Miguel Díaz-Canel, 57. Membro do Partido Comunista, ele se tomará o primeiro dirigente desde a Revolução de 1959 a não pertencer à família Castro. Na Venezuela, onde a tensão ê constante e a crise humanitária se agrava sob a ditadura de Nicolás Maduro, o calendário eleitoral também prevê um novo pleito.
Para o cientista político argentino Federico Merke, não há perspectiva de ondas de esquerda ou direita. “Vejo mais a disputa entre novo e velho, ideologia e pragmatismo”, afirma. 

Eleitor de Bolsonaro é o mais ativo nas redes, diz Datafolha

Eleitores que dizem votar em Jair Bolsonaro para presidente compartilham mais notícias sobre política nas redes, segundo o Datafolha. Estão no WhatsApp 93% deles, e 43% disseminam conteúdo, ante 79% e 30% dos que preferem Lula.