Uma opinião técnica sobre o Parque Inundável Multiuso

Uma opinião sobre o Parque Inundável anunciado pelas administrações de Balneário Camboriú e Camboriú. Quem opinou, provocada por nós, foi a especialista Kelli Dacol, ex-diretora técnica da Emasa, uma das melhores. A respeitável opinião:

Em relação à reserva de água na bacia ou busca de outro manancial fora dela, eu conheço as opiniões do Ney e do André Ritzmann, então posso dizer que seria muito bom ter os posicionamentos de ambos externalizados publicamente. Afinal, as controvérsias contribuem para melhoria dos processos. Mas prontamente, sem nenhum ensaio técnico, eu me rendo ao posicionamento do Sr. Hélvion Ribeiro, que foi perfeito na sua colocação (manifestada no perfil de Facebook deste jornal virtual): "Os detalhes e a evolução tem que ser técnica, mas a importância , o valor e a necessidade do fato, está acima de qualquer dúvida razoável".

Sou defensora do Parque Inundável, tanto é que na ocasião em que era Diretora Técnica da EMASA,encaminhamos o processo e solicitamos abertura de edital para a contratação do estudo. Boas ideias precisam ser continuadas. A seguir pontuo alguns itens em defesa da proposta:

1) A área prevista para o parque é valiosa, contribui para a recarga do aquífero e precisamos assegurá-la para a geração dos serviços ecossistêmicos, seja para contenção de cheias, para reserva de água bruta e/ou para o bem comum.

2) A importância hidrológica da área tem valor imensurável, é uma área estratégica. E os poderes públicos de BC e Camboriú não podem perder o controle sobre ela;

3) Quanto à contenção de cheias, é indiscutível;

4) Quanto à dupla função de contenção de cheias e reserva de água bruta, cabem aos pormenores técnicos do projeto. Lembro que em várias reuniões de órgãos colegiados das quais participei em ambas as cidades, sempre enfatizei que a "fatia de ouro" da bacia do rio Camboriú é a área prevista para o Parque Inundável; falei também que os prefeitos poderiam explorar grandemente esse dourado todo, pois deixariam técnicos satisfeitos e políticos com um mote interessante. Logo, a sociedade reconheceria o valor da área. Contudo, considerando a forma de exposição e os caminhos que os governos seguem, cabe avaliar se o equilíbrio entre as decisões técnicas & políticas está no meio da balança. Qual será a régua para medir isso?

Se existe de fato a intenção de executar o projeto, vejo duas possibilidades: a reserva de recursos no orçamento da EMASA e/ou a garantia de recursos oriundos da outorga onerosa/TPC para este fim. Lembrando que decretos com seus fins descontinuados existem vários. Para os defensores da proposta, cabe fiscalizar as peças orçamentárias. BC destinará recursos para sua execução? Sem recursos para instalação do empreendimento, haverá apenas Decreto de Utilidade Pública, muito marketing e discursos políticos. Então, comemoremos com cautela! De todo modo, louvo a decisão do Dr. Elcio, pois é preciso ter muita coragem para decretar de utilidade pública uma área que está ameaçada pela especulação imobiliária, que vislumbra, num futuro próximo, assim que for possível ampliar a área mista urbano/rural, condomínios e parcelamento do solo.

Kelli não opinou - e não cobramos isto por ser indevido e indelicado fazê-lo - sobre a influência do Parque Inundável na melhoria das capacidades de adução e reservação de água tratada, que é o que define o abastecimento da cidade, em última análise. Isto a quantidade de água bruta disponível não resolve. O que uma bacia inundada por água bruta como reservatório de segurança resolve e protege está dito na análise de Kelli. Mas nem dez parques inundáveis amplia a capacidade de água tratada do sistema.Seja em tempo de consumo excitado, seja em tempo de avarias em adutoras.

Ninguém ainda explicou o que será feito e para que servirá o Parque Linear, em cujas profundidades consumiram uma montanha de dinheiro público.