Os primados dos debates sobre a cidade e sua gente

Nada estranhável a conduta política de vereadores, tanto de oposição quanto de situação, defendendo os primados de seus partidos e das alas a que pertencem. É da boa política aliados ou oposicionistas serem fieis aos seus objetivos, evitando, tanto quanto possível, os exageros, as demagogias baratas, as mentiras e os ataques pessoais. Companheiro é companheiro e adversário é adversário. Um não tem compromisso, em tese, de aceitar o que o outro diz ou faz. Pelo contrário.

Por isso é estranho condenar investidas de vereadores contra o prefeito ou de vereadores da base aliada contra vereadores de oposição ou críticos do governo - exceto no campo das ideias e dos resultados, com linhas de argumentação aceitáveis ou, pelo menos, bem ponderadas.

Ninguém tem compromisso com o erro - indicou, com sabedoria, Juscelino Kubitschek, o saudoso ex-presidente que criou Brasilia. Vê-se, por exemplo, veeradores Bola (PSDB) ou Piruka (PP), saindo com o cinturão cheio de munição a bater no governo. Ou o Marquinhos Kurtz (PMDB), chutando pra todo lado, ou o próprio Marcelo Achutti (PP e líder do governo), saindo da trincheira de defesa do governo e caindo com todo o peso em cima de situações pouco palatáveis da administração. No meio disso tudo, há desvios de rota, excessos, coisas improváveis, realidades insofismáveis, erros grotescos, acertos na mosca, coisa e tal. Mas nada é melhor do que jogar o assunto para discussão, como fazem todos eles, abrindo o leque de alternativas para se debater a realidade da cidade e encontrar os melhores caminhos. O resultado é sempre bom, independente dos caminhos percorridos, se difíceis, pedregosos, áridos, ásperos, lisos, retos, tortuosos. O fato é que (o ditado é antigo) da discussão nasce a luz. Até as estrelas mais brilhantes nascem de explosões.

Neste espaço temos discordado e criticado muitas posturas. Nada que obste o direito inalievável dos contendores de sair a campo e lutar. Aqui se trata apenas de opiniões ou posturas divergentes, nada mais.

O interessante de tudo, no fim, é o uso de bons argumentos, referências a fatos que demandem, no mínimo, muito raciocínio à busca da conclusão ideal das coisas. 

O mal, às vezes, nessas discussões, é o desvio para uma virulência deletéria - como ataques pessoais e tentativas de deméritos morais. Uma bobagem que, no Brasil, se repete muito, principalmente nas mídias sociais.

Salutar saber que há mais coisa e gente boa discutindo do que o contrário.