A faixa de areia é controversa

Circulando nas mídias sociais uma filmagem de drone, mostrando a praia alargada e a praia sem o alargamento, com uma faixa muito estreita à disposição dos banhistas. Como se fosse uma realidade imutável, claro. Não explicam se a filmagem negativa (a faixa estreita) tenha sido num dia de maré alta ou não. Nem precisa explicar: foi. Aquela faixa reduzida acontece, mas não é constante. Nesses últimos dias de bom sol e bom clima, a faixa de areia tem uma largura satisfatória, mesmo nos momentos em que a maré sobe. 

O desejo de alargar a faixa de areia vem de muitos anos. Ocupou os anseios e planos de vários prefeitos, sem consecução final. E de novo, Fabrício Oliveira realimenta a intenção. 

Nem importa se o plebiscito que indicou apoio popular ao projeto tenha sido em 2001, com uma votação pífia de preferência. O correto seria uma nova consulta, para sedimentar a obra como um desejo indiscutível. Farão audiências públicas, dizem - legais e enganosas em si mesmas -, pois a população, já se viu em muitas ocasiões, só decide fatos corporativos, quando ameaça um só lado, que agrupa e enche os auditórios de claques dirigidas. Quando é direito difuso, ninguém dá bola.

Sim, questionamos a utilidade do alargamento da faixa de areia há muito tempo. Os argumentos até aqui utilizados para a sua feitura não nos convencem. Porque não ajudará em nada a difusão da cidade, a frequência turística, a qualidade geral da população. É só uma opinião, sujeita a chuvas e trovoadas, mas há mais: a areia limitada ou não jamais foi objeto de restrição de turistas para frequentar a cidade. Basta compulsar dados de todas as pesquisas de satisfação realizadas ao longo dos últimos 20 anos. Ou mais, se preferirem. Nelas, não encontrarão exceções ou opiniões se queixando ou criticando faixa de areia insuficiente e, note-se, nem quanto à sombra na areia. Tanto é verdade que, entra ano, sai ano, entra temporada e sai temporada, e os turistas retornam sempre. Com ou sem sombra na areia, com ou sem faixa de areia restrita. Então fica muito claro que isto não influencia na frequência turística.

Alargar a faixa de areia até pode ocorrer. Se - e somente se antes - investirem, como já se disse noutras matérias aqui, no saneamento. Alargamento da faixa de areia não resolverá o saneamento. O mar continuará comprometido nas análises da Fatma, podem apostar. E uma besteira que está sendo difundida por alguns: criar mais pistas para veículos na orla. Se for para humanizar, é andar na contramão da proposta. Uma besteira, enfim.

Finalmente e cá pra nós, que ninguém nos ouça: R$ 200 milhões pela obra (R$ 110 milhões pela obra em si e outros R$ 90 milhões pela "revitalização da orla"), ante outras prioridades não atendidas e exigidas pela população a todo instante, é um bocado contraditório. 

Em todo caso, a decisão não depende de meras opiniões ou debates. Depende do peso de canetas e influências. E se, como dizem, o Estado meter dinheiro nessa obra, tem que apanhar de relho, já que não investe no essencial da cidade, como o hospital, alegando impossibilidade financeira.