Base de Fabrício na Câmara está derretendo

Nos escaninhos dos Altos da Dinamarca, rufam tambores de cizânias explícitas. E vertem na Câmara, onde vereadores da base de apoio não poupam críticas ácidas ao prefeito e ao governo como um todo. Na última sessão, terça-feira, Lucas Gotardo, Patrick Machado e até o líder do governo, Marcelo Achutti, desceram a ripa com vontade. O líder do governo nem é novidade. Ele é o vereador da base mais fora da base de toda a Câmara. Nem o Piruka e o Bola criticam tanto e são tão contundentes nas linhas críticas pesadas ao governo.

Isto prova duas coisas, que se associam: o governo é paupérrimo de articulação com sua bancada e não vem executando suas tarefas de acordo com o figurino. A segunda hipótese sacrifica a primeira, pois não há articulação possível com o governo errando tanto e desagradando tanto no cumprimento de seus compromissos, principalmente se isso pega pelos fundilhos interesses político-eleitorais dos vereadores. E a maioria pega.

Dentre os críticos e dissociados das realidades do governo e de Fabrício, no entanto, não estão os vereadores do PR, sigla do vice-prefeito Carlos Humberto. Mesmo na superveniência de erros e exageros eventuais e desvios de rota, eles se mantêm perfilados ao lado da administração, deixando o papel de oposição para a oposição e para os desgarrados. E é por isso, e justamente por isso, que ficam os observadores da política local sem entender o quase desprezo que a estrutura de governo dedica ao PR e inclusive ao vice-prefeito, coisa nítida demais de se ver e difícil de esconder. 

E por isso há toda uma perspectiva a se vislumbrar, ante a dúvida inevitável: o que se passa na cabeça do prefeito, que não chama nas puas essa gente, esclarece de vez e exige comportamento adequado? Bem, a gente adianta: deve haver aí uma causa que, se o prefeito se meter, aumenta a discórdia e acelera os desentendimentos. Resumindo: falta um comando, uma cabeça bem centrada para gerir. Com um ano apenas de gestão, é preocupante para quem é governista de primeira hora. E se quiserem contestar, primeiro compulsem os arrependidos, que se mostram a todo instante na imprensa e fora dela.