Alargamento da praia se baseia em realidade fictícia

29 de setembro de 2017, apresentação de documento falando do projeto de alargamento da faixa de areia de Balneário Camboriú. O jornal Folha do Litoral ouviu o oceanógrafo Fernando Diehl sobre a obra. Para ele, o projeto não trouxe nada de novo.

Suas palavras: É uma realidade fictícia como argumento para a necessidade de engordamento da praia. No que se refere ao projeto de alargamento, somente vi dois aspectos técnicos na apresentação. Ou seja, a necessidade de se criar um enrocamento para a proteção das obras de infraestrutura e instalar um canal com gradeamento para absorver a água do overwash (sobrelavagem) em movimentos de ondas de alta energia. Um absurdo, porque nem o enrocamento, que inclusive não é recomendado em obras como esta, nem o canal vai proteger a praia de fenômenos como os que atualmente atingem a nossa orla.”

Resumindo o que disse o técnico: o alargamento não protege a praia das ressacas do mar.

Depois, disse: “Em Balneário Camboriú, Itajaí e Floripa, vivem e trabalham os maiores especialistas em morfodinâmica costeira do Brasil, mas ninguém foi procurado. Portanto, temos um projeto que não tem qualquer relação técnica e/ou científica com a Oceanografia, com a cidade e muito menos com a praia”.

Importante destacar: Fernando Diehl é morador de Balneário Camboriú desde 1986. Conhece profundamente a Praia Central da cidade, principalmente por estudos desenvolvidos em mais de 30 anos atuando profissionalmente em Santa Catarina. Graduado em Oceanografia pela FURG e mestre em Geografia pela UFSC. É secretário geral da Associação Latino-Americana de Investigadores em Ciências do Mar (Alicmar) e conselheiro geral da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano), além de diretos das empresas do grupo Acquaplan.

É impressionante o fato de ninguém dos especialistas, os maiores do Brasil, terem sido ao menos ouvidos, como conselheiros. Ainda mais pelo fato de muitos residirem aqui e, portanto, terem vínculos físicos e de paixão pela cidade. Pena. Por isso fica difícil acreditar em fundamentação técnica gabaritada do projeto.