Rua 1100, uma servidão inútil

Conhecido como "Brooklin", a passagem de pedestres entre o Hotel Miramar e o Edifício Cosmos (Rua 1100), tornou-se um refúgio de drogados e desocupados, nem sempre com atitudes pacíficas e tornando o local impossível de ser usado por quem deseje apenas cruzar da Atlântica para a Avenida Brasil ou vice-versa. Por ali não cruzam veículos e nem motos, apenas pedestres e ciclistas. 

Mas a história daquela passagem vem lá de trás. Primeiro, como recurso de mobilidade é inútil, pois o Calçadão fica a cerca de 20 metros, se tanto. Segundo, ali nada se pode fazer de diferente, pois é uma entrada das garagens do Cosmos e a entrada para a cozinha do Miramar. Antigamente, o Condomínio Cosmos bloqueou quaisquer acessos, como se propriedade sua fosse. E enquanto foi assim, a coisa andou, não havia queixas e nem alterações. E então veio o legalismo: o espaço é uma servidão e houve uma ação judicial, afinal vencida por quem o queria de livre acesso ao público. E chegamos ao estágio atual - o espaço não tem utilidade prática alguma como recurso de mobilidade, como se afirmou lá em cima. E serve de abrigo para desocupados e drogados. 

A Guarda Municipal e a PM fazem batidas ali, episodicamente. Não resolve. Saem, o pessoal retorna. Como não resolve em definitivo combater drogados na própria orla da Atlântica, comprovado por frequentes boletins de flagrantes de prisão de viciados e traficantes nessa região central. Por esses fatos vê-se ser, no Brasil, difícil ajeitar as coisas. As leis não permitem ou são insuficientes ou lenientes com quem não anda pelos trilhos. E muitas vezes o legal (caso da recuperação da servidão da 1100 ao público) se torna inconveniente, apenas.

===

No Facebook (página pessoal), aduzimos outras ponderações:

Guarda Municipal fará patrulhamento (já está fazendo) preventivo na Rua 1100 (Brooklin), de dia e de noite. Bom. Tomara que não afrouxem, porque foi necessária uma denúncia pública (menos mal) pra coisa funcionar. Mas o certo seria fechar aquela gaita ali com portões de um lado e outro. Para evitar a esbórnia e não precisar o patrulhamento. É o mais adequado e urgente a fazer. Para a proteção de todos. Até porque, como eu já disse em matéria especial no meu site, aquela passagem é inútil para a sua pretensa finalidade.
Uma sugestão-proposta: façam ali uma galeria de artes fechada, ambientada com ar condicionado e entreguem para artistas plásticos da cidade exibirem e venderem seus trabalhos. De graça, só com o compromisso de cuidarem. Pronto. Tá resolvida a esbórnia e da maneira mais humanística, cultural, artística e republicana possível.
Cabe até um barzinho temático pros artistas se reunirem sorvendo umas e outras e jogando conversa fora.