Maior renda, menos IR, regra de uma elite

Um terço da renda da elite dos servidores é isento de IR.

Juízes, procuradores e conselheiros de Tribunais de Contas recebem R$ 6,4 bi livres de impostos por ano.

A elite do funcionalismo público, formada por membros do Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas, tem quase um terço da renda isento de imposto de renda (IR), segundo dados da Receita Federal. Em 2016, cada juiz, procurador, ministro ou conselheiro de tribunal de contas recebeu em média R$ 630 mil, sendo R$ 180 mil livres de tributos. Esse nível de isenção é explicado pelo recebimento de auxílio- moradia e de uma série de outros “penduricalhos”, que não pagam imposto de renda. Se fossem tributados, esses rendimentos pagariam alíquota de 27,5%. Ao todo, em 2016, a elite dos servidores recebeu R$ 6,4 bilhões isentos de qualquer tributação. Para o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Bernard Appy, os dados da Receita mostram distorções nas cobranças de tributos. “Quanto maior a renda, maior é a parcela total da renda isenta.” O pagamento dos auxílios a juízes e procuradores tem sido questionado e as categorias reagiram marcando uma greve para o dia 15. (ESTADÃO)