Os riscos do adensamento e verticalização dos bairros

As coisas por aqui, faz tempo, não são levadas a sério. Hoje se fala e fala sobre "preservação", "ecologia", "saneamento" e "urbanização humanística", mas a cidade, desde o seu começo, foi arrasada por ocupações indevidas em todo o seu território, quando encobriram rios e lagoas no centrão, desmantelaram a mata ciliar, avançaram sobre os rios, jogaram esgoto (ainda jogam) no mar por redes indevidas (esgoto no pluvial, pluvial no esgoto), jogam lixo nos rios (Peroba, Ostras, Camboriú, Marambaia e outros cursos d'água), entopem as ruas de lixo, não separam devidamente, emporcalham a areia da orla.

As falas, no seu todo, visam o outro, nunca o proponente. As exceções são tão poucas que não têm o condão de mudar nada. Faça o que digo, não o que eu faço.

Umas fotos tiradas do alto do Morro do Cristo agora mesmo mostram a diferença entre o Centro e os Bairros: espigões apontando o céu e as casas do outro lado, em edificações baixas.

Qual é o medo? 

Como lá atrás a regra estabelecida era os altos edifícios ficarem na segunda quadra e não na primeira - e romperam de forma indecente e permissiva apenas pela ânsia do lucro imobiliário -, agora também é não verticalizar os bairros, para não adensar ainda mais e tornar a cidade inviável para todo o sempre. Pode ser outro "compromisso" rompido, porque os espaços vão se exaurindo no centrão. Essa discussão já rendeu horas e horas, com o sentimento de não fazer, mas sabe como é: na hora do sobreviver a "economia", tudo pode mudar. Tudo é apenas tese. Que pode ser furada a qualquer momento, ante a sociedade impotente e submissa ao capricho e vontade de quem manda na caneta. 

Se não tomarmos cuidados agora, traçando caminhos seguros, poderemos ver tudo se consumar em menos de 10 anos. Afinal, o Plano Diretor nem está revisado, como manda a lei, para fixar diretrizes. Não adianta muito, porque conseguem improvisar e deturpar no meio do caminho, mas pelo menos se teria um parâmetro. 

Há um ano e meio a revisão do Plano Diretor entrou na Câmara e o governo atual retirou. Ainda não mandou de volta, como prometido "para algumas semanas". Medo.