Mentiras mais rápidas que as verdades

GLOBO

Pela violência, empresas adotam “código de conduta”

A violência no Rio tem levado empresas a programar “códigos de conduta”, com restrição à circulação em vias de alto risco, mudança nos turnos para evitar horário noturno, aumento nas escoltas e até uso de geradores em caso de queda de energia durante operações militares. Executivos são aconselhados a deixar o terno e adotar o uniforme da empresa. A receita das seguradoras de transporte subiu 125% no estado, enquanto no país a alta foi de 6%.

UPPs têm mais de três mil tiroteios em 20 meses

Levantamento feito pelo aplicativo Fogo Cruzado revela que, nas 38 UPPs (37 na capital e uma na Baixada), houve 3.014 tiroteios de julho de 2016 a fevereiro deste ano, média de 150 confrontos por mês. O general Walter Braga Netto, interventor da segurança, avaliará a estrutura física e a importância estratégica de cada uma para decidir quais serão fechadas.

Roubos aterrorizam o campo

Quadrilhas de roubo de máquinas e insumos agrícolas têm semeado o terror em algumas das áreas mais produtivas do país. Só em Minas, Mato Grosso e Goiás foram registradas 71 mil ocorrências no campo em dois anos.

ESTADÃO

Governo gastou R$ 23,2 bi em 2017 com bônus a servidores

O governo federal gastou R$ 23,28 bilhões com bônus de desempenho e gratificações de servidores do Executivo em 2017, valor equivalente a um mês de folha de pagamento do funcionalismo. Cerca de 500 mil dos 633 mil servidores da ativa recebem esse tipo de benefício, de acordo com levantamento do Ministério do Planejamento, informa Lorenna Rodrigues. Há também aposentados, que não têm metas a bater, na lista do bônus – a Justiça vem entendendo que o servidor tem o direito de incorporar pelo menos parte das gratificações depois de parar de trabalhar. Os bônus são criados para premiar a performance dos funcionários públicos, mas acabam funcionando como aumento de remuneração. E, apesar de poderem variar de acordo com o cumprimento de metas, a maior parte é paga pelo valor máximo. No setor privado, é usado para incentivar o trabalhador a melhorar seu desempenho.

Candidatura do MDB divide núcleo político de Temer

Os conselheiros mais próximos do presidente Michel Temer estão divididos quanto ao projeto eleitoral do partido para este ano. Se todos neste momento concordam que a sigla deve voltar a ter um presidenciável, eles não se entendem quanto ao nome que deve estar na urna em outubro. O ministro Moreira Franco sonha ver Temer candidato à reeleição. Eliseu Padilha trabalha por Henrique Meirelles.

FOLHA

Gratificações já superam 70% dos salários federais

A cada R$ 100 em despesas com salários, o governo federal gasta outros R$ 77 com gratificações e incentivos para servidores dos três Poderes e do Ministério Público da União. Em 2017, esses gastos somaram R$ 42,3 bilhões, enquanto os salários totalizaram R$ 54,5 bilhões, mostra levantamento feito pela Folha na base de dados do Ministério do Planejamento. As gratificações por cargo efetivo, instituídas no governo Lula, são a maioria dos pagamentos extras. O benefício foi idealizado para elevar a remuneração e, ao mesmo tempo, estimular a eficiência. Para receber a gratificação, é preciso que funcionário e o órgão em que ele trabalha sejam considerados produtivos, mas cada departamento determina suas próprias metas. Na prática, a nota máxima é atribuída a quase 100% dos servidores, e não existem casos em que as metas institucionais não sejam atingidas. O governo trabalha em um projeto de lei para alterar o sistema de gratificações. No entanto, a proposta precisaria ser aprovada no Congresso, onde grupos de pressão de servidores têm força para fazer oposição.

AGÊNCIA BRASIL

Internet: fake news andam mais rápido que a verdade

Notícias consideradas falsas se espalham mais facilmente na internet do que textos verdadeiros. A conclusão foi de um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), instituição de ensino reconhecida mundialmente pela qualidade de cursos de ciências exatas e de áreas vinculadas à tecnologia.

Os pesquisadores Soroush Vosoughi, Deb Roy e Sinan Aral analisaram 126 mil mensagens (não apenas notícias jornalísticas) divulgadas na rede social Twitter entre 2006 e 2017. No total, 3 milhões de pessoas publicaram ou compartilharam essas histórias 4,5 milhões de vezes. O caráter verdadeiro ou falso dos conteúdos foi definido a partir de análises realizadas por seis instituições profissionais de checagem de fatos.

Os autores estimaram que uma mensagem falsa tem 70% mais chances de ser retransmitida (retuitada, no jargão da rede social) do que uma verdadeira. As principais mensagens falsas analisadas chegaram a ser disseminadas com profundidade oito vezes maior do que as verdadeiras. O conceito de profundidade foi usado pelos autores para medir a difusão por meio dos retuítes (quando um usuário compartilha aquela publicação em sua rede).

O alcance também é maior. Enquanto os conteúdos verdadeiros em geral chegam a 1.000 pessoas, as principais mensagens falsas são lidas por até 100.000 pessoas. Esse aspecto faz com que a própria dinâmica de “viralização” seja mais potente, uma vez que a difusão é “pessoa a pessoa”, e não por meio de menos fontes com mais seguidores (como matérias verdadeiras de contas de grandes veículos na Internet).

Motivos

Os pesquisadores investigaram o perfil dos usuários para saber se estaria aí o motivo do problema. Mas, para sua própria surpresa, descobriram que os promotores desses conteúdos não são aqueles com maior número de seguidores ou mais ativos. Ao contrário, em geral são pessoas com menos seguidores, que seguem menos pessoas, com pouca frequência no uso e com menos tempo na rede social.

Uma explicação apresentada no estudo seria a novidade das mensagens. As publicações falsas mais compartilhadas eram mais recentes do que as verdadeiras. Outra motivação destacada pelos autores foi a reação emocional provocada pelas mensagens. Analisando uma amostra de tuítes, perceberam que elas geravam mais sentimentos de surpresa e desgosto, enquanto os conteúdos verdadeiros inspiravam tristeza e confiança.

Política no centro

A pesquisa também examinou a disseminação por assunto. As mensagens sobre política circulam mais e mais rapidamente que as de outras temáticas. Esses tipos de conteúdos obtiveram um alto alcance (mais de 20 mil pessoas) três vezes mais rápido que as publicações de outros assuntos. Também ganharam visibilidade os tuítes sobre as chamadas “lendas urbanas” e sobre ciência.

“Conteúdos falsos circularam significantemente mais rapidamente, mais longe e mais profundamente do que os verdadeiros em todas as categorias de informação. E esses efeitos foram mais presentes nas notícias falsas sobre política do que naquelas sobre terrorismo, desastres naturais, lendas urbanas e finanças”, constaram os autores.

Robôs

Os autores também examinaram a participação de robôs (bots, no jargão utilizado por especialistas) na disseminação dessas notícias. Diferentemente de teses apresentadas em outros estudos, os robôs avaliados compartilharam mensagens falsas e verdadeiras com a mesma intensidade. “Notícias falsas se espalham mais do que as corretas porque humanos, e não robôs, são mais suscetíveis a divulgá-las”, sugere o artigo.