Cabeças pensantes e vontades andantes

Algumas inconsistências da administração municipal: Ministério Público minou o Conselho Gestor da APA Costa Brava (Praias Agrestes de Balneário Camboriú), determinando uma nova eleição. Isso depois de a prefeitura - leia-se prefeito - ter tentado inflar o conselho com mais gente sua do que o normal, despertando a ira do MP. A recordar: se existe parto complicado é esse do Conselho Gestor da APA Costa Brava. Não é a primeira vez que o MP anula uma eleição e manda fazer outra (governo de Piriquito). E pela mesmíssima razão.

Sem Conselho Gestor, não há Plano de Manejo. Sem Plano de Manejo, cabe ao Ministério Público do Meio Ambiente ficar de olho muito aberto para evitar excessos e arroubos nada republicanos na ocupação de terras e degradação ambiental. 

Outra inconsistência (usado como enfemismo ou como definição mais clássica, no lugar de outras definições inapropriadas ou agressivas) foi a festiva implantação dos endeusados totens de segurança. Só dez deles, a peso de ouro (R$ 160 mil cada um) e pareceu, pelas euforias brandidas nas mídias sociais e nos palcos oficiais, ter sido resolvida a maior equação do universo. Agora, conforme o vereador Nilson Probst denunciou na sessão desta terça, 13, na Câmara Municipal, descobriu-se estarem eles ligados irregularmente na rede elétrica (resumidamente, "gatos" de luxo. É necessário, antes de ligar, um entendimento e uma licença da Celesc, que não ocorreu). Mais ainda, as câmeras identificadoras de placas de veículos (OCR) nem estão acopladas neles, estão em postes anexos.

São erros primários - no caso do conselho gestor da APA erro repetido -, sem que a lição fosse devidamente aprendida. No caso dos totens de segurança, viva a falta de planejamento e de assessoria legal ! Mania de achar que poder público pode tudo e é intocável. 

Por último, fora do tema aqui: coloquem UM Guarda Municipal dentro da Passarela da Barra. UM só. Não é pedir muito e não afronta a organização. Pelo contrário, ajuda muito e evita uma tonelada de problemas, como as depredações de elevadores, por exemplo e dá mais segurança a quem a usa diariamente. 

E tentem - só tentem, please - dar uma finalidade à Passarela da Barra além da sua finalidade precípua - de travessia. É possível fazer. Mesmo porque a administração ateé já cogitou isso e nada fez até agora. Deu o dito pelo não dito. Disseram os gestores ilustres da cidade que poderia instalar lá uma unidade descentralizada da Guarda Municipal e até a sede da Secretaria de Turismo. Nos extremos há muito espaço para isso; aqueles espaços planejados para serem restaurantes panorâmicos que, convenhamos, ali não ficariam muito disponíveis e nem haveria acorrência ideal de público. Seria, enfim, um risco financeiro. 

No meio, depois de nobilitado o uso dos extremos com secretaria e GM, implante-se uma bela galeria de artes, coisa tentada e fracassada porque inexiste segurança e até roubo de peças houve. 

Triste a ausência de cabeças pensantes e vontades andantes.