Dr. Moro: desculpa, mas foi burrice

Um homem tido e havido como um estrategista, um jogador de xadrez, um homem calculista, o Dr. Sérgio Moro derrapou feio nessa de dar 24 horas para o Lula se apresentar. Foi um erro brutal. Ao invés de punir, ajudou Lula e seus seguidores a criar um fato provocativo e humilhar a Justiça e a Polícia Federal. Muitos afirmam que ele jogou bem ao criar este fato, demonstrando a renitência de Lula em cumprir a lei, caracterizando revelia. 

Pode-se até considerar que Lula e seus seguidores morram pelo cansaço e o tempo tornará o episódio chato pela sua decorrência, insuportável até de ser acompanhado, esvaziando-se ao natural pelo meio do caminho. De qualquer maneira, foi um erro. Se houvesse a determinação imediata, sem regateios e de surpresa, poderia até ter havido alguma reação posterior, mas ele estaria na cela. E tudo demandaria um tempo muito menor do que este triste espetáculo midiático - que pode ser um desfavor ou pode ser uma vantagem. Não há como calcular. 

Os petistas em particular e a esquerda de modo geral vivem à cata de eventos que favoreçam suas mobilizações. E as incursões fanáticas nas redes sociais. Só querem  motivos. E o Dr. Moro lhes deu de graça e na bandeja. E assim sumiram da imprensa e da opinião pública os tiros na caravana, a morte da vereadora carioca e outros episódios. Sumiu até a incidência da intervenção no Rio de Janeiro. Todos esses assuntos foram - e são ainda - peças de resistência da imprensa, à beira da chatice, tantas as repetições de fatos inconclusivos e opiniões nada respeitáveis.

É uma pena, mas foi uma burrice, Dr. Moro.