A audiência pública da Havan

Tudo o que está dito leva à crença de que há muito engano sendo levado a público. A audiência pública para discussão do impacto ambiental de instalação de uma loja da Havan no terreno do Caseca, nas proximidades do BC Shopping e início da Avenida das Flores, não discutiu impacto, mas implicações comerciais e no sentido pior: danos à concorrência. Porém muitos entendem que, ao gerar mais de 200 novos empregos, a Havan ajudará a recuperar perdas de vagas no comércio local, cujos números o Caged indica serem nada agradáveis.

Impacto haverá, menos ou mais, mas haverá, na circulação, ainda que se executem ali obras viárias com a finalidade de evitá-lo ou reduzi-lo.

Houve reclamações de que o empresário Luciano Hang trouxe alguns ônibus de gente sua para tomar de assalto o plenário da Câmara. E é verdade. Afirmaram ser gente de outras cidades, principalmente de Brusque. Há um detalhe: isto não é proibido. Por  isso a audiência se chama "pública". Não há exigência de domicílio em nenhuma delas. E nem pode haver. E estamos acostumados ao fracasso de público comum em audiências públicas. É sintomático que na maioria delas, senão em todas, ninguém compareça, exceto os grupos interessados no tema dominante. Nunca foi diferente.

Restam dúvidas, ainda, sobre a realidade discutida: os impactos. Por mais que se faça para minorar os impactos no trânsito, eles ocorrerão. E a tendência, com o passar do tempo, ante o volume crescente de veículos circulantes por ali, é piorar. 

Isto, entretanto, é improvável de ser razão para simplesmente negar. Como sugerem CDL e entidades congêneres, ali poderia ser a Praça do Cidadão, com a instalação da sede da prefeitura. Haveria impacto também. Então este não é o problema, está claro.

Todavia e finalmente, que bom que todo o problema desta discussão seja um novo empreendimento com geração de empregos e giro de riquezas. Muitas cidades adorariam ser forçadas a decidir um caso assim e não a perda de oportunidades de renda e de arrecadação.