Gideões, a hora de uma decisão inteligente

Bem, chega uma hora em que é necessário pensar, repensar e refazer projetos: quando eles atingem um ponto de exaustão. É o caso dos Gideões Missionários de Última Hora, evento religioso de repercussão nacional e até internacional, realizado há 36 anos em Camboriú.

Justamente por essa imensa profundidade histórica e por uma indubitável tradição e êxito e ainda pelas consequências sempre críticas de sua estrutura é que se haverá de pensar bem em novos tempos. Sempre em nome do bom senso.

A chatice de repetirem-se sempre as mesmas queixas e sucederem-se sempre os mesmos incômodos reclamados pela população, como a redução da mobilidade urbana e uma ocupação desordenada de muitos espaços, além da comercialização de produtos duvidosos, bem como, segundo muitos, a doação de recursos oficiais de Estado e Município em detrimento de outras prioridades e até das dificuldades vividas pelos poderes públicos para manterem suas próprias máquinas e serviços funcionando em favor do povo -, por isto tudo é que se há de supor seja oportuna uma reestruturação da forma e de conceito. Nem que seja para se reduzir as áreas de atrito social e político, visíveis e constantes ano após ano.

Este comodismo pouco correto de manter algo que cause tanta polêmica apenas porque os resultados finais servem aos organizadores, apesar dos confrontos e dos entrechoques, é muito arriscado – pois conduz exatamente à exaustão de que falamos.

Achamos, então, ser até inteligente rediscutir o evento em toda a plenitude. Ouvindo todos e cogitando de todas as possibilidades no sentido de sua melhoria.

Ou se faz isso, ou continuaremos a, ano após ano, ouvirmos as mesmas coisas e sofrermos os mesmos males – até que -, e isto fatalmente acontecerá se permanecer como está - a tal ponto que o próprio evento canse tanto que tenha que acabar por si mesmo. Simplesmente por falta de opções de viabilidade adaptadas às realidades do tempo. Finalmente porque, se considerarmos as realidades de sua trajetória, o evento começou há mais de três décadas e meia e a cidade já não suporta os mesmos fatos que o envolvem. Seja pelo notável crescimento populacional, seja pela dificuldade na mobilidade urbana, seja pela própria razão econômica da cidade.

Bom sempre relembrar: não é feio reconhecer um erro e tentar acertar de uma maneira que seja bom para todos.

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