Querem cobrar TPA em Florianópolis

Retorna à cogitação a cobrança de pedágio (TPA) para entrada de turistas na Ilha de Santa Catarina. Sobre isto, o empresário Estanislau Bresolin, presidente da Federação de Hoteis, Restaurantes, Bares e Similares de SC, publicou em sua página na Internet um desabafo crítico: 

TURISMO DE PEDÁGIO

É exacerbada a alta carga de tributos e taxas a que são submetidos os turistas que nos visitam, principalmente os nacionais e certamente o que esperam da cidade é aproveitar suas belezas naturais e desfrutar de suas praias, deixando aqui riqueza e geração de empregos; logo, qualquer taxa ou pedágio que se queira implantar pode colocar em xeque o turismo em nossa ilha. 
A capital catarinense conta com uma expressiva circulação de pessoas e o turismo é a atividade que mais gera e distribui riqueza para a cidade. É absurdo imaginar que, além de todas as taxas já embutidas na atividade, ainda se cogite a hipótese de um adicional, a exemplo do que é praticado em Bombinhas.
Florianópolis não pode ser comparada e Bombinhas, a Fernando de Noronha ou as praias do litoral paulista ou carioca, pois somos também uma capital de estado e uma infinidade de pessoas precisa obrigatoriamente vir aqui. A pergunta que fica é : quem precisa ir a Bombinhas ? Por isso sou menos crítico à cobrança localizada, ou seja, cobrar pedágio em determinadas praias como, por exemplo, Lagoa do Peri, Moçambique e outras similares, mas na cidade como um todo ou no aeroporto, como ventilado seria estapafúrdia essa nefasta e antipática cobrança.

O governo já arrecada recursos para ações ambientais e precisa saber aplicá-los com eficiência. É absurda a idéia de cobrar uma taxa de pedágio com a desculpa de investir na área ambiental. Inclusive chegam ao ridículo de sustentar a cobrança em função do lixo gerado pelo movimento turístico, esquecendo de toda a movimentação econômica que gira em torno desse movimento de turistas. É uma transferência de responsabilidade e uma distorção de valores fazer com que o turista arque com um ônus governamental. E está mais do que na hora de o poder público assumir esse encargo.
Se este pedágio for criado, com certeza teremos um fator de desestímulo à vinda de pessoas para Florianópolis e não será esse valor que resolverá o problema da má administração e falta de investimento. O turismo na Capital precisa de incentivo e investimentos, não de taxas disfarçadas para encobrir a falta de responsabilidade do poder público em arcar com os seus deveres.
O turismo se faz com investimentos e o seu próprio desenvolvimento gera riqueza que suportaria essa necessidade, mas o que se vê é falta de investimento por comprometimento de toda a receita com folha de pagamento, o que é inadmissível para uma cidade que precisa crescer e tem no turismo sua tábua de salvação e portanto criar taxas antipáticas e esdrúxulas não ajuda em nada o desenvolvimento dessa atividade econômica.

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Tá dito. Mas há quem defenda a cobrança justamente para selecionar. No caso de Bombinhas está em vigor a TPA, há muitas discussões sobre a utilidade e o emprego dos recursos dela decorrentes. Mas não houve queda de frequência turística por causa disso. As tranqueiras de trânsito continuam iguais em todas as temporadas. O turista, parece, não deu muita bola para a cobrança.