Camboriú vai discutir administração da água

A maior demonstração de que as coisas não andam bem com o serviço de água e, pior ainda, as perspectivas para o esgotamento sanitário de Camboriú, é a convocação de uma audiência pública por parte do prefeito Élcio Kuhnen (MDB) para discutir o assunto. Será no dia 16 de maio, às 18h30, no Auditório da Prefeitura da cidade.

A realidade: isto já deveria ter sido feito não apenas numa ocasião, mas em muitas, no mínimo a cada vez que a cidade viveu o drama do desabastecimento (e foram dezenas de vezes) e quando se sabe da inexistência de um projeto com prazo aceitável de coleta e tratamento de esgoto. 

Audiência pública, uma fórmula burocrática e legal de se forjar debates, no entanto, não é um caminho muito amplo para se chegar a um destino aceitável. Melhor seria uma consulta direta à população - um plebiscito. Aí se poderia ter um número aceitável e de mais credibilidade para uma conclusão.

O fato, porém, é que o serviço tem deixado a desejar e a população não consegue vislumbrar uma perspectiva confortável. Há muitas dúvidas. Além do que a empresa Águas de Camboriú sempre se apresenta com fatores discutíveis do ponto de vista jurídico, até em relação ao contrato assinado. O mesmo ocorre em Bombinhas e em Balneário Piçarras, onde a empresa também gerencia os serviços. Problemas iguaizinhos, causadores de muitos questionamentos legais. Não pode ser só azar ou coincidência.

A discussão é oportuna, mas precisa ir mais fundo.

O erro veio lá de trás, de 2005, quando a Casan deixou o serviço e a Emasa assumiu em Balneário Camboriú, com proposta de uma gestão compartilhada com Camboriú, mas a teimosia do prefeito Edinho e da Luzia, por razões sabe-se lá quais - já que os prefeitos de ambas as cidades eram parceiros do mesmo partido, o PSDB, amigos pessoais, até -, acabaram por dividir a gestão. E daí em diante foi tudo o que se viu: o fracasso total da fórmula para Camboriú, chegando à necessidade de conceder a gestão a uma empresa privada, ao invés de ceder e retornar à Emasa. Não duvidem que, se assim fosse, a maioria dos problemas da cidade poderiam estar resolvidos ou muito reduzidos.

Mas essas coisas de política, de egos feridos sempre acabam assim.

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