A aristocracia política de SC

A renovação política se dá pela alternância de poder, pela substituição de lideranças dentro dos partidos e por candidaturas fora do ciclo vicioso das velhas raposas, sem viés hereditário. Poder-se-á afirmar que o viés hereditário também favorece renovação. Em tese, sim. De fato, não. Os costumes e métodos utilizados por pais ou avós na condução política, com as exceções de praxe, mantém o status da liderança. Dois exemplos, um deles negativo: Maranhã dos Sarney; o outro é a Bahia de Antônio Carlos Magalhães. Apesar do aspecto negativo familiar, a história registrou a proeminência de Luiz Eduardo Magalhães, filho de Antônio Carlos Magalhães, personalidades egressas da raiz familiar política mais tradicional e renitente da Bahia. O pai, com seu estilo ranhento e o filho com seu estilo diplomático. Dizia o próprio Antônio Carlos que o filho conquistava sem dor o que ele combatia com dor. Inclusive, só para registro, inimigos de Antônio Carlos não eram, por extensão, inimigos de Luiz Eduardo. As relações com um eram inviáveis e com o outro perfeitas. 

Os exemplos catarinenses são bastante singulares. os Ramos e Bornhausen se revesaram no poder por décadas inteiras, sucedendo-se diretamente ou por prepostos no governo e no mando político do estado, com seus caciques sempre sentados no trono e dando as tintas. Ao longo da história temos Aristiliano Ramos, Vidal Ramos, Aderbal Ramos da Silva, Joaquim Ramos. Uma aristocracia política.

Não que isso tenha significado, em si mesmo, um fato danoso ao se falar em administrações públicas ou que tenham sido maus governantes. Nereu Ramos e Celso Ramos, irmãos que governaram Santa Catarina em épocas diferentes, como líderes maiores de uma das oligarquias (diziam os seus que o sistema de revesamento não era "política de famílias", mas "famílias de políticos", para alivias as contrariedades) e em seus períodos o Estado conquistou vitórias interessantes. Irineu Bornhausen e Jorge Bornhausen, pai e filho, foram governadores e, de igual forma, não se pode dizer que tenham sido maus governadores. Mas não é disto que se trata - e sim do necessário alternar do poder. Não entre famílias ou partidos, mas de projetos, ideias, características, jeito, forma de comando - e, evidentemente, prioridades de gestão. Porque, apesar dessas sucessões e de acertos e erros, o Estado de Santa Catarina, apesar de bem postado perante os demais em indicadores sociais e econômicos, desde quase sempre vê governadores surgindo sempre direta ou indiretamente construídos por membros desses clãs. Exemplo: Kleinubing só chegou ao governo  porque Jorge Bornhauseu o apoiou. Esperidião Amin só foi governador porque Konder Reis o nomeou prefeito da Capital, depois secretário de Educação e logo após Jorge o nomeou secretário de Transportes e Obras - e ele, enfim, chegou onde está, passando por conquistas de vários cargos de ponta na política, com as bênçãos de Jorge. 

Dirão que tudo foi pelo voto, no caso dos mandatos eletivos. Certo. Mas para chegar ali foram empurrados no momento certo e souberam aproveitar. 

Hoje ainda, a começar por Raimundo Colombo, cria histórica de Jorge Bornhausen, temos por aí, a comandar a política, personalidades cuja história seria outra sem os apadrinhamentos decisivos dos próceres das oligarquias, como seus verdadeiros constituídos.