A despoluição que não despolui

É admirável o otimismo dos defensores dos atuais métodos utilizados no Canal Marambaia, à guisa de sua "despoluição". Primeiro, acham a retirada do cocô do fundo do seu leito como fator preponderante e decisivo. Ora, se parar um dia de retirar, acumula tudo de novo, pela simples e boa razão de existirem, ainda, despejos de dejetos ali, ainda não impedidos - e são centenas de milhares, segundo os próprios técnicos da área. Enquanto isso estiver acontecendo, impossível imaginar despoluição. As análises da Fatma indicam sem dó, com índices ora descendo, ora subindo e chegando aos píncaros dos coliformes.

Tentar impingir isso como grande conquista soa meio infantil. 

Fala-se muito na milagrosa aeração como solução. Aeração do cocô só retira odor, não retira o efeito danoso no solo e na água. Fosse assim, o tratamento de esgoto não precisaria de decantação da bosta e a saída da água do esgoto livre disso para receber o clorogás, que a purifica e devolve para o rio. Traduzindo: sem tratamento purificador, a aeração não despolui o solo ou a água, somente o ar.

Neste momento, ante a deficiência de máquinas, não exclusivas da operação de limpeza do Marambaia, há paralisações cujo efeito é a nova acumulação dos dejetos. Os despejos diários, com ênfase para a noite, rescendem o fedor terrível ao longo do Marambaia. E a coloração da água indica o efeito desses despejos (IMAGEM ANEXA).

Fato: estão trabalhando inutilmente. Gastando dinheiro à toa, só pra mostrar um serviço e uma preocupação que não resolverão nada.