O exemplo das coletivas de Amin

Bom sempre prestar atenção na diferença entre informar e comunicar. Parece a mesma coisa, mas não é. Na informação se leva o conhecimento do fato, na comunicação interpreta-se e se coloca o fato na escala de compreensão dos objetivos de quem repassa o fato. Uma informação isolada nada significa e, se não for acrescentada de uma boa comunicação de quem a emite, vale pouco ou pode até gerar interpretações equivocadas ou indesejadas. 

É bem a história dos princípios do jornalismo: quem, o que, quando, onde, como e por que. Acrescente-se aí um "e daí" ou um "e depois" (acontece o que?). 

Pode-se informar a abertura de vagas de creches. É informação pura e simples. Na comunicação do fato, explica-se qual o impacto disso no conjunto educacional de crianças abrangidas por essas vagas, qual a demanda reprimida ainda existente, qual a estrutura disponível para garantir o bom funcionamento (há professores suficientes? Há monitores preparados?) e com que perspectivas pode-se contar ao longo do tempo próximo. E em cima disso (a comunicação) dados sobre a capacidade do governo, dentro de suas políticas educacionais em fazer frente à realidade, ditos de viva voz. Tudo para evitar interpretações, opiniões contraditórias e reduzir as áreas de atrito ou ruídos de comunicação. Bom seria se, dependendo do tamanho do fato, a autoridade, prefeito ou secretário, convidasse a imprensa para um tete-a-tete. Nos tempos de Esperidião Amin, na sua primeira gestão de governador, as manhãs de segunda-feira eram destinadas a coletivas com a imprensa, com temas livres. Das 8 ao meio dia. Com isso, ele criou uma espécie de confiança com os meios de comunicação e esclarecia tudo o que apresentasse dúvida. E não escondia e nem fugia dos assuntos, não impondo pauta ou agenda.

Isto não parece sensibilizar os atuais mandatários, daqui e de tantos outros lugares. Dá a impressão de que querem mais é se esconder, fugir da imprensa, com medo de conflitos. Uma bobagem, porque os conflitos virão de qualquer jeito e aí o remédio é cair na defensiva sempre, o que não é o melhor caminho. Tentando explicar e dispersando o esforço - porque alguns darão repercussão e outros nem darão pelotas. Estando tudo aberto e a um só tempo, no caso de coletivas, não há como escapar, ou a oportunidade de questionamentos se perderá.

Informação, enfim, é só dizer. Comunicação, enfim, é transformar a informação em vantagem político-administrativa. 

Mas este é só um entendimento pessoal do que se possa fazer. Se serve de sugestão, tudo bem. Se não, tudo bem também. Sigam seu caminho.