Emasa demite diretora técnica, mas a razão...

A gente fica meio pensativo, ao ler a informação da demissão, ainda na quinta-feira passada, sem maiores alardes, claro, da diretora técnica da Emasa, Roberta Orlandi, no cargo desde o início da atual gestão. Admitir e demitir cargos comissionados, técnicos ou não, é prerrogativa das administrações. Com ou sem motivo. Como dizia o ex-ministro Mário Henrique Simonsen, no serviço público se é admitido em português e demitido em latim (ad nutum - ato revogável pela vontade de apenas uma das partes). Entretanto nem é isso que se coloca aqui: as razões apontadas foram de incompetência no trato de questões sob a responsabilidade da diretora, principalmente em relação às providências relativas ao Canal Marambaia e, supletivamente, implantação do abastecimento de água em Taquaras. 

Devem estar brincando de administrar.

A Emasa é uma autarquia com direção própria, cheia de gerentes, com Conselho Administrativo existente, técnicos por todos os lados para decidir e fazer acontecer - além da tutela evidente (ou autoridade direta, se preferirem) do prefeito, ainda mais por ser um assunto de altíssimo reflexo político. Ao demiti-la, fabricaram um bode expiatório para o próprio descontrole de gestão. Difícil acreditar que uma só pessoa decida tudo isso e falhe sozinha. A direção técnica é fundamental, mas é executora - quem decide é o conjunto diretivo e o acompanhamento há de ter sido feito. Se não foi ou se foi e houve falha, tem mais gente para ser demitida. Estivemos na Emasa por seis anos em assessoria de comunicação e nada - nada mesmo - no nível de decisão desse tipo, passava sem que todos soubessem exatamente o que se passava, quais eram as complicações eventuais e quais as falhas e, via de consequência, quais as saídas ou as impossibilidades. Os acertos eram coletivos e os desacertos também. 

A não ser que fosse uma tarefa específica e dependente da ação de uma só pessoa, tudo bem. Mas o caso do Marambaia e os erros sucessivos que se cometem ali e a rede de água de Taquaras (ou qualquer outra, vá lá), são atos administrativos superiores, projetos sensíveis e de alto teor político e administrativo e que envolvem muito mais que duas pessoas, quanto mais uma apenas. Ademais, deixaram o assunto apodrecer por cinco meses (quanto a prazos não cumpridos) para só agora adotar uma medida que não é solução. Demitir é só retaliação barata. Aliás, indo adiante, o Grupo do Rio Marambaia, no whatsapp, divulgou ata de reunião havida na noite desta segunda-feira, com a presente do diretor geral da Emasa, Carlos Haacke. Leiam:

O grupo de trabalho do Rio Marambaia esteve reunido nesta segunda-feira no Hotel Marambaia para acompanhar os projetos da Emasa para a despoluição do nosso rio.
O diretor da Emasa, Sr. Carlos Haacke informou que perdeu sua diretora técnica da Emasa, assim como o engenheiro César Arenhart, contratado há mais de um ano para coordenar o processo de despoluição do Rio Marambaia, na época, apresentado aos moradores pelo prefeito Fabrício. 
O engenheiro César Arenhart agora é morador do Pontal Norte e segue contribuindo voluntariamente como morador e como especialista na área técnica.

O Sr. Carlos Haacke informou que a prefeitura está buscando transferir recursos da Emasa para a prefeitura, o que poderia prejudicar o andamento das iniciativas em despoluir o rio entre outras iniciativas de saneamento da cidade.
A prioridade da Emasa no momento é iniciar o processo de vídeo inspeção em 40 quilômetros da rede pluvial para identificar e corrigir as irregularidades (rede de esgoto conectada à rede pluvial). Ela deve começar lá na Rua 2450, onde começa o Rio Marambaia até a sua foz e o projeto pode levar até 18 meses.
O Sr. Mazoca agendará uma reunião com o novo secretário de planejamento, eng. Rubens Spernau para que o grupo de trabalho do Rio Marambaia possa apresentar as ações já realizadas e pedir a manutenção da prioridade sobre este assunto indicada pelo prefeito há mais de um ano.

Em resumo, a Emasa está com suas verbas bastante limitadas e remontando sua equipe para continuar com a despoluição do Rio Marambaia.
Ficou acordado com o diretor da Emasa que os moradores continuarão com as reuniões mensais onde a Emasa manterá o grupo atualizado sobre as ações de despoluição do nosso rio.

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(Se perceberam, houve um "desmonte" da equipe, com prejuízos previstos à ação; depois, a prefeitura ESTÁ RETIRANDO RECURSOS DA EMASA PARA O ORÇAMENTO MUNICIPAL, podendo prejudicar a despoluição do rio e outras iniciativas do saneamento da cidade. PALAVRAS DO DIRETOR GERAL DA EMASA, AO VIVO). Alguém está dormindo no ponto.