O que parecia fácil de resolver, mas era só conversa

Lembrando (ou relembrando) aqui situações d'antanho, refletidas nos dias atuais. A Estrada da Rainha, por exemplo. Antes do atual governo, membros dele, cabeças daqueles movimentos fanáticos e exorbitantes, preconizavam horrores, previam catástrofes e exaltavam irresponsabilidades se ações não fossem executadas com urgência urgentíssima. E condenando as ações executadas, sempre visando atingir pessoas por viés político.

Pois a Estrada da Rainha está lá, do mesmo jeito que há mais de dois anos. Sem deslizamentos (as medidas adotadas, afinal, funcionaram). Não se fala mais em crime ecológico e não mais são necessárias obras de contenção, como fartamente preconizadas antes e sem as quais haveria a iminência de crime ecológico. Nada ocorreu. Chuvas já caíram e o terreno está lá, firme e forte. Ou se essas obras continuam sendo necessárias - sabe-se lá -, nada se faz e nem se cogita, sequer. Caso encerrado?

Tudo, como este caso, parecia tão simples. Era só pegar um dinheirinho no cofre, juntar umas três ou quatro máquinas, equipes de serviço e meter a mão na massa. A despoluição do Canal Marambaia também. Bom dizer: desde sempre as ações criadas não resolveram e, da forma como adotadas, não resolveriam nunca. As atuais, apesar das espetaculosas notícias, também não estão resolvendo e muita grana já foi desperdiçada ali.

Agora surgiu uma medida milagreira. A tal UTR, um sistema emergencial de tratamento dos efluentes lançados no canal. Detalhe: não resolve a essência, pois sem parar os despejos, a poluição continuará ao longo do canal. O sistema, segundo se sabe, custará mais de R$ 12 milhões. Houve até uma licitação, afinal interrompida pela própria administração municipal por alegados vícios legais. Pode ser que ainda seja instalada, mas não será solução. A pergunta é se valerá o investimento e se ele, ao final, será mesmo resolutivo. Pensando na questão primordial - o fato de ser emergencial - dá para saber que não solucionará, como se disse lá em cima. 

Dizia-se também que cuidar do hospital e dos atendimentos da saúde era moleza. Recorriam sempre ao fato de Balneário ter uma arrecadação de "dois milhões por dia" (hoje é até mais), como se esse dinheiro não servisse para mais nada na gestão da cidade. Hoje buscam a terceirização do hospítal, da futura UPA do Bairro das Nações e a confirmação da terceirização do PA da Barra. Queriam uma só empresa nos três locais, mas o Ministério Público recomendou negativamente: há que ser uma empresa para cada um. Para não correr o risco (real) de um "apagão" se ocorrer qualquer tipo de problema com a empresa terceirizada. Neste caso, simplesmente pararia tudo e fica-se imaginando o desastre. Muito prudente a promotoria - Dr. Rosan.

No começo do governo inventaram a formação da um Conselho Gestor para o Ruth Cardoso, formado por secretários de saúde dos municípios de Itapema, Bombinhas, Camboriú e Balneário. Nem começou. Pela simples e boa razão de uma inviabilidade prática: por que razão os secretários cuidariam de viabilizar o Ruth Cardoso e não cuidariam dos seus próprios hospitais? Aliás: se cada município cuidassem bem dos seus próprios atendimentos, dando-lhes condições de funcionamento, não precisariam do Ruth. Mas, para eles, sabe-se, é muito mais cômodo jogar tudo no Ruth, pagando os valores designados pelo SUS para esses atendimentos. Valores muito abaixo do volume de atendimentos. Como o Ruth é "porta aberta" (100% SUS), Balneário que se vire. É o que continua acontecendo. E muitos, inclusive, ao invés de atribuir culpas ou responsabilidades de eventuais atendimentos deficientes às suas próprias cidades, jogam o peso disso no Ruth e em Balneário. Porque problemas existem mesmo, mas fica mais fácil atribuir a culpa a outros.

Enfim, parecia tão fácil, né mesmo?