A despoluição do ex-rio

Por mais meritória, a campanha deflagrada em favor da despoluição do Canal Marambaia, ex-rio, pecou por carência de ações práticas no tempo e hora adequados, com começo, meio e fim. Comprovação fácil: continuam discutindo fórmulas de investir no processo. Enquanto isso, o principal problema segue adiante: os despejos ainda são direcionados para ele, seja por parte dos prédios ao seu longo, seja pela própria Emasa, via extravasores de suas elevatórias. Enquanto isso não parar, pouco resolverão UTR (Unidade de Tratamento de Rio) ou os biorremediadores da condição da água. Porque depurar a água além da linha dos despejos equacionará uma parte apenas. A outra, a principal - os despejos -, continuará contribuindo para a degradação do canal.

As sequelas causadas no canal são tantas, a ponto de serem irremediáveis, fato reconhecido já na primeira reunião. As propostas, em outubro de 2017 (um ano passado), foram expressadas numa reunião inicial, cujos principais detalhes estão nas imagens anexas. Nada cumprido até agora. A vídeoinspeção, um dos meios preconizados, além de demorado é discutível. Mais barato ir de casa em casa e averiguar na hora e já ali notificar e/ou punir. Inventaram uma moda tecnológica cara e demorada. 

Finalmente, se permanecerem irresolvidas situações como a do interceptor insuficiente, as medidas serão insatisfatórias. Se os extravasores da própria Emasa continuaram ativados, as medidas serão insatisfatórias. Se a capacidade de tratamento da própria ETE do Nova Esperança não for resolvida rapidamente, as medidas serão insatisfatórias. E quando ativar-se a rede das Praias Agrestes, preparem-se para piorar muito o tratamento na ETE, justamente por essa falta de capacidade. O terceiro decantador está inativo, ainda. E há que se projetar mais um ou dois. 

É preciso, sim, debater o Marambaia. Mas é vital debater o conjunto da coleta e tratamento de esgoto da cidade. Sem isso, os impasses permanecerão e a cidade perderá. Daqui a pouco, de maneira irremediável.