Moisés quer posse despojada e rápida

Nesta segunda-feira, 3, o governador eleito de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva - Comandante Moisés - anunciará grande parte do seu secretariado. Ele já informou sua vontade de ter uma posse rápida e simples, sequer sem entrevista à imprensa. Coisa básica e hermética. Nada de festivo. 

As expectativas em torno de seus assessores giram em torno da coloração política que ensejará. No estilo Bolsonaro, ele parece estar disposto a romper o ciclo da mesmice sobre nomes e congregações. Numa primeira ação, já anunciou que o líder do governo na Assembleia será o deputado eleito Onir Mocelin, oficial bombeiro como ele e, por certo, pessoa de sua mais inteira confiança. Nos bastidores, os seus partidários tentaram criar um clima visando à escolha de um deles - políticos iniciantes e sem vínculos mais fechados com ele - para o cargo. Previdente, Moisés preferiu racionalizar e indicar alguém com a mesma linha de raciocínio e sentimentos que ele. Mostrou personalidade. De fato, Mocelin é um parlamentar eleito dentre os novatos, mas não é, em momento algum, um político à busca de eternizar-se e de formular confabulações políticas em torno de si. Ou de inflar o próprio ego.

A dureza será, e disto ele já deve estar ciente ante os relatórios recebidos e a máquina inflada do Estado, contornar os vícios e eliminá-los da prática administrativa. Uma estrutura minada por anos e anos de infiltrações as mais profundas deverá ser uma das mais árduas missões. Os principais obstáculos estão fora das linhas de primeiro e segundo escalões, mas do terceiro para baixo - onde a máquina anda ou deixa de andar, dependendo do humor e dos interesses. Aí é que mora o perigo. É muita gente marcada por rótulos partidários e pessoais de políticos cujo poder foi exercido com o sentido de ocupar os espaços, alguns até com merecimento e competência, porém grande parte apenas para favorecer e dar privilégios. A saber se o PSL ou aqueles em quem Moisés possa confiar, têm quadros suficientes e bons para preencher essas lacunas e fazer a máquina andar.

De qualquer maneira e finalmente, trata-se de um momento historicamente inusitado: nunca uma mudança foi tão radical na vida político-administrativa de Santa Catarina. E pela estrondosa votação que teve, sem dúvida ficou assinalada uma vontade popular de mudar de lado e de história. Tomara que o novo governador esteja ciente disso e conheça as forças com as quais lidará.