Água e esgoto, uma dependência a ser resolvida

Manifestação do vereador Claudinei Loss (MDB), de Camboriú, nas mídias sociais, alerta para a necessidade premente de Camboriú ter o seu próprio sistema de coleta e tratamento de esgoto. Poderia acrescentar a captação,  e tratamento de água, projeto, aliás, em andamento pela concessionária Águas de Camboriú. Há muito chão a ser percorrido nesse caminho, ainda, mas não há outra alternativa. Continuar esse vínculo com Balneário Camboriú é danoso para as duas cidades. Primeiro porque a outorga do rio já não comporta a necessidade. Segundo, a cada temporada é suplício, exigindo manobras para evitar falta de água pelo elevado consumo da época, passando dos normais 35 milhões de litros/dia para 85 a 90 milhões de litros. Como a reservação de ambas as cidades é insuficiente para um caso de interrupção de meio dia em tempo normal e de duas ou três horas na temporada, por qualquer razão, a situação é previsivelmente mais grave. Ou  se tem uma nova captação de um outro manancial, ou se gera um sistema de acumulação eficiente no rio ou teremos sérias consequências em menos de cinco anos. A equação não é secreta e nem desconhecida dos responsáveis. Muito menos da população. Não é "se", é "quando", porque vai acontecer mesmo.

Durante 30 anos a Casan mandou e desmandou; mais desmandou do que mandou no sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto na região toda. De Balneário a arrecadação saía para financiar sistemas de outras regiões. Por isso Camboriú não tem um centímetro de esgoto, sua rede de água ainda é precária - embora a Águas de Camboriú esteja executando um trabalho interessante de expansão e de construção de capacidade de reservação, ainda insuficiente, contudo -, de tal modo que a poluição do rio Camboriú, do Peroba e de todos os afluentes é notória e inevitável. 

Ao sair, para piorar, a Casan deixou a rede sucateada, inclusive sem os mapas de localização de PVs, sem ferramentas, sem materiais de reposição, sem mapas da rede. Sem nada. Por birra por ter perdido a concessão. Coisa de moleque.

O alerta do vereador Loss pode ser, quem sabe, a arrancada para se pensar em conjunto, numa hora em que a harmonia parece estar comprometida por conflitos daqui e dali. Com muitos pensando no próprio umbigo. 

Mas é preciso mais. Não aquela manjada máxima da "vontade política". Não: é vontade mesmo. Querer fazer e tocar pra frente.