Morte no Ruth Cardoso: rigor nas apurações doa a quem doer

Um jovem faleceu vítima de infecção generalizada e acusam o Hospital Ruth Cardoso de negligência, por demora no atendimento.

A notícia do fato, na versão popular:

O jovem cascavelense Ivonei dos Santos, 24 anos faleceu no Hospital Ruth Cardoso no último domingo (03), na cidade de Balneário Camboriú/SC em decorrência de falência dos rins, conforme o relato de familiares. A notícia veio a público através de uma matéria veiculada pelo portal de notícias local, Jornal Razão.

Durante a semana ele já tinha sido internado no Ruth Cardoso (na terça feira-26 e na quarta feira-27). “Hoje não o atenderam assim que ele chegou, mesmo com nosso amigo implorando”, contou uma testemunha.

Ivo teve que se deitar de bruços em uma maca e aguardar no corredor, mesmo perdendo a visão diante dos amigos e posteriormente entrando em óbito.

De acordo com informações de amigos, que desabafaram nas redes sociais após o fato, Ivo estava com a barriga ‘quase três vezes maior do que o normal e com os lábios roxos’ quando chegou ao hospital, porém não teve a atenção médica necessária.

O caso é gravíssimo. Trata-se de uma vida preciosa. Amigos e familiares jogaram as acusações nas redes sociais, com repercussão na mídia estadual.

A Secretaria da Saúde emitiu nota:

Nota Hospital Ruth Cardoso

A Secretaria de Saúde esclarece que não procede o relato feito numa postagem na rede social, a respeito do atendimento prestado pelo Hospital Ruth Cardoso a Ivonei dos Santos, 24 anos, falecido na tarde do último domingo (3).

Ivonei dos Santos procurou o hospital no dia 2 de março, às 7h09min, foi atendido às 7h27min e medicado às 8h20min, sendo posteriormente liberado para casa.

No dia 3 de março, chegou às 12h54min ao hospital, recebeu atendimento às 13h03min e foi medicado. Às 13h50min foi avaliado pelos médicos, inclusive pelos especialistas em cirurgia geral. Às 14h20min começou uma bateria de exames, entre eles tomografia de abdômen, colonoscopia, endoscopia, tomografia do tórax, lombar e do pulmão, gasometria e ainda exames sanguíneos. Na sequência, recebeu medicação e o tratamento pertinente ao quadro. Ivonei dos Santos faleceu em decorrência de uma infecção generalizada. Ele já estava em tratamento na rede pública de saúde do município, devido a uma patologia que necessita atenção específica, onde era acompanhado por médicos especializados.

O Hospital recebeu ainda, a informação de que Ivonei dos Santos teria sido atendido no Hospital Marieta Konder, onde também foi liberado e já solicitou o prontuário àquela instituição.

Por fim, como medida de precaução a direção do hospital solicitou à empresa terceirizada que presta serviço de emergência no pronto-socorro, a substituição dos profissionais que atenderam o caso, até que seja concluída a análise dos prontuários.

Andressa Hadad
Secretária de Saúde

Ao final, ninguém informou qual o diagnóstico. Mas pelas minúcias dos procedimentos, com horários precisos e atendimentos realizados, pelo relato do hospital, mostra a necessidade de uma investigação muito rigorosa, por parte da administração e mesmo do Ministério Público. Para ver onde estão as mentiras e onde estão as verdades. E, no final, cabe punição severa por eventual falsidade ideológica. De qualquer dos lados. Não se brinca com algo assim.

Quanto às críticas ao atendimento do Ruth Cardoso, bom anotar: falou-se, na manifestação na Internet, que o hospital teve dificuldades também por estar “entupido” de gente. Entupido estará sempre, pois é destino de doentes de toda a região, onde hospitais têm incapacidade reconhecida de atendimento, em volume e qualidade. Então o ônus final fica no RC.

Aliás, nossa opinião sobre o RC vem desde o início: foi um erro brutal construí-lo no seu formato de “hospital de campanha”, sem quartos individuais e sem pronto socorro; foi um erro brutal abri-lo e, em abrindo, foi um erro brutal fazê-lo de porta aberta (100% SUS). Acabaram inviabilizando o hospital no seu nascedouro. Estava mais que na cara que iria acontecer o que está acontecendo hoje: Balneário Camboriú é responsável pelos ônus totais, financeiros e funcionais. E joga ali alguns milhões – quase R$ 5 milhões – mensais para conseguir dar volta. Hoje está terceirizado, mas a problemática não muda.