O silêncio eloquente de Carlos Humberto

Há silêncios muito eloquentes. Alguns ensurdecedores. 

Na política de Balneário Camboriú, o personagem representado pelo vice-prefeito Carlos Humberto guarda alguns aspectos interessantes, seja em comparação com ícones passados, seja quanto à sua condição de inequívoco parceiro do atual prefeito nas boas e más horas. Pois apesar de premido por situações e pressões contínuas - ele e seu partido, o PR - no âmago do governo (não pelo prefeito, diga-se), mantém-se fiel aos princípios do mandato e da parceria eleitoral.

O mais impressionante nisso é vê-lo repetindo, à exaustão, e demonstrando em atos e fatos, sua enfática defesa do prefeito e do governo. Seria estranho se não o fizesse, pois é partícipe. Mas muitos, no passado, romperam ostensivamente e até prematuramente. Os exemplos são fartos.

Nos últimos tempos, após momentos de muitas postagens enaltecendo aspectos administrativos, repetindo-as, até, em situações de euforia ou de prostração em suas páginas pessoais na Internet, ele simplesmente parou ou reduziu essas manifestações, resumindo-se ao que mais gosta: elogiar e demonstrar seu amor pela cidade. E só.

O fato é que muitos indicativos sinalizam para um desconforto de boa parte da equipe administrativa (a politicamente ligada à eleição) em relação ao vice-prefeito e ao seu partido. E ele, inobstante tente conciliar e harmonizar, vê-se por vezes obrigado a se situar, tomar posições. E o faz apenas com movimentos, como num jogo de xadrez, com o afã de evitar mágoas e choques. Ou seja: em nome da paz, apanha quieto. Até quando, eis a questão. Há toda uma trama para isolar o PR dentro do governo. E apesar da resistência pessoal do prefeito, isso continua ao longo dos tempos, desde o início. O caldo pode entornar - e, a prosseguir, é questão de tempo. Como estamos em época de adequação ao processo eleitoral, em que o prefeito postulará a recondução ao cargo, isto pode refletir lá. Com consequências imprevisíveis, mas seguramente ruins.

É preciso estudar profundamente qual tipo de inépcia sobrevive e se instalou na atuação política interna de governistas arredios ao vice-prefeito, sabendo-se ser ele o fiel companheiro, o parceiro vitorioso e o financiador pessoal mais expressivo da campanha. Mais ainda, deve-se considerar o apoio legislativo hoje presente e necessário para o êxito final da administração. 

O eloquente silêncio de Carlos Humberto tem significados que reverberarão em 2020, se não mudar. E refletirão de várias formas: ele pode assumir efetivamente o mandato de deputado, na qualidade de primeiro suplente, caso algum dos seus companheiros se candidate a prefeituras e vença - e esta possibilidade é real. Com dois anos de mandato parlamentar estadual pela frente, pode ser que abra mão de ser vice de novo e assuma voo próprio. E até opte por disputar a prefeitura, se houver uma ruptura da coligação com o PSB. Nesse quadro, tudo muda no cenário. Com evidentes e claras perspectivas de fragilização do atual prefeito. Por isso, imagina-se, os seus detratores não estão medindo direito as consequências de suas retaliações imotivadas. 

Política não é para qualquer um, vê-se logo. É uma ciência na sua concepção filosófica, mas é uma arte na sua prática.