As palestras milionárias

A informação veiculada pelo colunista Cacau Menezes, segundo a qual o palestrante Jamil Albuquerque, dono de um instituto especializado no Paraná foi contratado pela prefeitura de Itajaí por R$ 450 mil para uma palestra de 1h15 aos funcionários foi contestada pelo próprio envolvido, usando referências de outros profissionais da área. A explicação é de que o valor, pago de uma só vez e antecipadamente, é para ministrar palestras motivacionais durante um ano ("mais de 30", ou seja, R$ 15 mil por palestra).

Respeitando o direito do contraditório, em nossas mídias sociais, onde repercutimos a informação do colega Cacau, recebemos também a resposta do envolvido. Entre dar sentido ao direito de resposta e concordar, vai uma longa distância. A dúvida que fica, ante as burocracias legais: entende-se que qualquer serviço prestado a um órgão público precisa ser comprovado para se poder receber o combinado. Nas veiculações publicitárias, pelo menos, é assim. Em obras financiadas, por exemplo, os valores são liberados mediante medição ou fiscalização do que se prestou ou fez. Pagamento integral adiantado é coisa nova. Pelo menos nunca vimos isso. E se no meio do caminho a empresa ou o profissional resolver não mais prestar o serviço, por qualquer razão? É no fio de barba o combinado? Vamos consultar o Tribunal de Contas sobre isso. É esquisito, ainda mais se tratando de quase meio milhão de reais, sem licitação.