Grande imprensa no reino da fantasia

Segundo Ricardo Noblat, a decisão do ministro Toffoli de adiar a votação sobre prisão após condenação em segunda instância seria um golpe contra a soltura de Lula e seria resultado de uma pressão dos comandantes militares em cima do presidente do STF. Tipo "dá ou desce". Alguém acredita nisso? Seguindo adiante, o jornalista supõe ser o indício claro de "golpe" com digital militar. 

Acreditando nisso, podemos supor fechamento do Congresso, censura à imprensa, intervenção nos Estados, cassações de mandato. O Noblat anda meio tonto com as suas próprias conjecturas. Tanto criou narrativas de intenção que se deixou contaminar por elas. Passou a acreditar em suas próprias mentiras. Já se viu, em passado recente, ele mesmo (além de outros), tentar gerar fatos, antecipar resultados, impor reações. Nenhuma acontecida. Ou ocorridas ao reverso. Parte dessa imprensa comprometida com suas versões é isto: imaginam ter, ainda, a força de influenciar para o lado que quiserem. Inexiste, hoje em dia, possibilidade dessas influências funcionarem, ante o fenômeno real das mídias sociais. É nelas que o embate acontece. São mais imediatas e letais do que editoriais e reportagens da Globo, da Veja, da Folha ou do Estadão. Aliás, esses órgãos tradicionais da imprensa estão muito além do descrédito popular. Ora são desacreditados por um lado, ora são desacreditados por outro. Resumo: não convencem ninguém de nada. Até pelo contrário, vêem pulverizado o seu antigo poder. 

Finalmente, as ocorrências da eleição de 2018 deveriam servir de lição definitiva para a descrença de institutos de pesquisa e opinião da imprensa e de "especialistas", "analistas" e "cientistas políticos". Nada do que previram aconteceu. Foi tudo ao contrário.

Mesmo assim, continuam trilhando o reino da fantasia.