Jornalista Pavan está na área disputando espaço

O ex-vereador, ex-prefeito, ex-senador, ex-deputado federal, ex-deputado estadual, ex-vice governador e ex-governador Leonel Arcângelo Pavan, detentor do mando de rádios e televisões, resolveu assumi o papel de jornalista, no comando de um programa próprio na sua TV Litoral Panorama, sustentado por "jornalismo de denúncias", mostrando problemas na cidade e analisando fatos - preferencialmente contra a atual administração. Por isso, já levou ao programa alguns vereadores, por "coincidência" todos com pontos de vista iguais ao seu. 

Alguns têm isso como uma tentativa de o ex quase tudo desejar virar protagonista das realidades, ante a proximidade eleitoral. Denotando, com clareza meridiana, que quer retornar à lide eleitoral, apesar de tudo. 

Outra coisa muito clara é que, sendo ele o dono absoluto dos prefixos, pode usar como quiser. Se este é método correto é outra história. Como meio de comunicação social, não se pode afirmar ter tido sucesso com seus prefixos. Duas emissoras de rádio por ele conquistadas (103,3 e a Rádio Natureza) estão liberadas para uso de igrejas. Alugadas, por assim dizer. Lá, no entanto, se ele desejar, pode abrir espaços para si, com igual finalidade. Só não o fará se não quiser ou não puder, por qualquer razão.

Por sinal, admira-se não ter feito isso há mais tempo, mesmo ocupando cargos públicos. No início da TV ele até tentou, mas de forma atabalhoada e descontrolada. Desobedecia regras mínimas de espaço e tempo e acabou frustrando suas próprias expectativas. Tanto que, politicamente, essa força ponderável no âmbito da mídia rendeu-lhe muito pouco em termos político-eleitorais. Pelo contrário, até, foi com isso que perdeu fragorosamente a eleição de 2016 para Fabrício Oliveira e por pouco escapou de não se eleger deputado estadual. O resumo da ópera é que, tendo canhões midiáticos, não soube usá-los. Porque ele ficou sem atiradores (demitindo-os ou os desprestigiando) e ele mesmo é ruim de tiro. 

Finalmente, a sua atitude, apesar dos considerandos acima, é lógica. Ele usufrui de um direito. Não o condenamos por isso. E é até bom, num tempo em que ser jornalista é um campo aberto, em função do fenômeno das mídias sociais e porque diploma já não é essencial para o exercício da profissão. Porque aumenta e concorrência e amplia o filtro de excelência entre os concorrentes. 

Estamos em campo aberto. Então, vamos lá.