Radares rendem intensa discussão sobre sua oportunidade na cidade

Continua rendendo a discussão sobre os radares e os limites de velocidade impostos pela prefeitura nas ruas da cidade. O principal fator de dissonância são as várias velocidades. A defesa da maioria é por hegemonia nessas velocidades, até porque inexistem razões maiores de mudar essa velocidade entre uma avenida ou uma rua e outra, a menos que ali haja, por exemplo, escolas ou alto fluxo de pedestres nas travessias.

Enfiar no sistema mais de 30 radares, muitos em pontos onde não há o menor sentido técnico estarem lá, acabou provocando uma celeuma forte. Há uma reação popular e de vereadores a respeito, exigindo um pouco de atenção. A aparência é de uma irracionalidade administrativa. Alguns falam em uma arrecadação desejada de mais de R$ 40 milhões em multas – e invocam a famigerada “indústria da multa”.

Defensores alegam ser necessário para reduzir o impacto do índice de acidentes, cujas estatísticas reais ainda não vimos, exceto por números pouco consistentes: acidentes com danos materiais leves, mesmo muitos, não sinalizam para a necessidade de tal controle, pois independem de velocidade alta. Tivéssemos fatalidades, como danos físicos ou mesmo mortes, aí justificaria. Porém, sabe-se que as passagens elevadas ajudaram a evitar muito disso. Com elas, foi desnecessário impor radares. Ou seja, a multa não se constituiu em fator de advertência ou redução acidentária.

Mas, indo um pouco além, radares e sinalizações não evitam acidentes, feridos e mortes nas BRs, por exemplo. Igualmente nas áreas urbanas. É só olhar as estatísticas da Polícia Rodoviária Federal, ressaltando-se que a maioria imensa dos acidentes não ocorre em rodovias perigosas, mas em retas e mais de 95% decorrem de inabilidade ou imprudência dos condutores na direção dos veículos e de dia. A imprudência e a inabilidade prevalecem também no trânsito urbano. Traduzindo: radares não resolvem nada. Sequer multas resolvem. Educação no trânsito resolve.