Águas de Camboriú discute eliminadores de ar com vereadores

Projeto de lei apresentado na Câmara de Camboriú, do vereador Josué Pereira (MDB), visa a instalação de eliminar de ar nas tubulações de água da cidade. A intenção, segundo o autor, é impedir o cálculo do ar como água fornecida ao consumidor, na marcação dos hidrômetros. As dúvidas principais são se o equipamento reduz a pressão da água e se tem certificação do Inmetro.

Estiveram no encontro a Diretora Presidente da concessionária, Reginalva Mureb, o Gerente de Relações Institucionais Marco Campesatto e o Coordenador de Operações Arthur May. Segundo Arthur, existem dois tipos de equipamentos: o bloqueador, que restringe a vazão e é instalado depois do hidrômetro; e o eliminador, instalado antes do hidrômetro e é o equipamento citado pelo projeto do vereador.

Ainda segundo o técnico, o Inmetro não deu parecer sobre a efetividade desses equipamentos ou a interferência deles na rede de água e no hidrômetro. Ele alerta ainda que esses eliminadores possuem aberturas que podem levar à contaminação da água. A presidente da empresa deixou claro que até o hidrômetro a responsabilidade da qualidade da água é da empresa, depois dele, não.

O vereador autor do projeto afirmou haver pesquisas mostrando a eficiência dos equipamentos em evitar que o ar, ocasionado quando ocorre um desligamento operacional na rede de água e depois da religação do sistema, seja contabilizado, causando prejuízo aos consumidores.

Durante a reunião os vereadores questionaram ainda sobre a situação de abastecimento de água no município e apontaram ocorrências de falta de água, bem como a presença de água de cor barrenta nas torneiras. Reginalva disse que o morador que tiver problemas com o abastecimento de água e após o restabelecimento do serviço encontrar água suja na torneira, pode procurar a empresa, pois a concessionária tem o dever de fazer a limpeza da caixa de água e repor a água sem custo ao usuário.

Além disso, está em vigor no município a Lei nº 3.129/2019, que garante desconto no valor da tarifa mensalde água quando o fornecimento não for satisfatório, ou seja, quando a água chegar à torneira imprópria para o consumo.

Atualmente no município, de acordo com os dados apresentados pela Águas de Camboriú, são 77 mil pessoas atendidas, 30 mil economias ativas de água e 301 quilômetros de rede. A meta é que em 2021 a água chegue a todos os camboriuenses.

Questionada sobre o cumprimento do contrato de concessão e construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do município, Reginalva pontuou que falou com o Prefeito e que agora as áreas para instalação da ETA estão em análise, restando, após isto, alinhar os prazos com a Agência Reguladora.

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COMENTS:

A discussão fica vazia, com esclarecimentos técnicos:

De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro, “não existe nenhum tipo de dispositivo eliminador de ar aprovado ou autorizado pelo órgão”.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) não regulamenta o uso de tais aparelhos e a Agência Reguladora (ARES-PCJ), também não autoriza a instalação de eliminadores de ar.
Além de irregulares, os equipamentos podem contaminar a água distribuída, causar vazamentos – como comprovam estudos feitos com aparelhos de diversas marcas ou causar bloqueio no fluxo de entrada do imóvel.

Testes já demonstraram a ineficácia destes dispositivos quanto ao que prometem e a melhor forma de reduzir a conta é adotar o uso racional da água.

Nota de esclarecimento do Inmetro a respeito do eliminador de ar

  1. Não existe nenhum tipo de dispositivo eliminador de ar aprovado ou autorizado pelo Inmetro;
  2. Não cabe ao Inmetro, especialmente à Diretoria de Metrologia Legal, proceder aprovação ou autorização desses equipamentos, visto que não são medidas materializadas;
  3. O Inmetro, através da Diretoria de Metrologia Legal, tem realizado ensaios, a pedido, com emissão de relatório, avaliando o equipamento sob a ótica da perda de carga, estanqueidade e curva de erros com hidrômetro nas condições normais de uso, visando a atender o item 9.4 da Portaria Inmetro 246/2000;
  4. Os relatórios de ensaios emitidos referem-se exclusivamente à unidade examinada, não sendo extensivos a quaisquer outros dispositivos, mesmo que similares, evidenciando, ao final, proibição expressa de utilização do nome ou logomarca do Inmetro;
  5. A citação indevida do nome ou marca do Inmetro no equipamento ou em material de divulgação do mesmo vem sendo objeto de notificações emitidas pelo Inmetro, cientificando o responsável das medidas judiciais cabíveis a serem adotadas caso não se observe a imediata suspensão da informação enganosa.

Fonte: http://inmetro.gov.br/noticias/conteudo/501.asp

Pode-se saber um pouco mais sobre o tema, lendo ESTE LINK: (AQUI)

Resumindo tudo: a discussão proposta não leva a lugar nenhum.