Contradições de comportamento e a fatalidade: na guerra, a primeira vítima é a verdade

Cansaço assistir, dentre as postagens sobre coronavírus e os desdobramentos incessantes de medidas de governos, municipais, estaduais e federal a fim de preservar a saúda da população, tantos contrapontos indevidos, críticas desajustadas em mérito e realidade, apenas pelo desejo de detratar este ou aquele.

"Na guerra, a primeira vítima é a verdade" (Ésquilo)

Primeiro: criticam o presidente por estar dizendo palavras indevidas no momento. Ora, enquanto isso o seu ministério atua corretamente. Se o ministro Mandetta, da Saúde, que se tem revelado um bom gestor, competente, dedicado e correto nas suas avaliações e providências, é o governo agindo. Se há erro, pau no presidente. Se há acerto, palmas pro ministro. Algo de desconexo nisso daí. O presidente, como o governador ou o prefeito, não são os caras que adotam tecnicamente as medidas, porém são os responsáveis finais. Se levam o prejuízo pelas lambanças, justo que levem o reconhecimento pelos acertos. E aí vêm as mazelas de cabeças pouco asseadas no sentido ideológico dizer bobagens, apenas para tentar destruir reputações. Sem se importar com o foco do tema. Disse alguém, com razão, que se Bolsonaro inventar um antídoto eficaz contra o coronavírus, opositores são capazes de criar um movimento a favor do vírus. Só pra contrariar. O dirigentes vão errar muito, até porque a situação é delicada e inusitada. É uma guerra sem regras. Essas, as regras, precisam ser definidas e adotadas enquanto os tiros estão zunindo sobre nossas cabeças.

Segundo: as leis devem ser seguidas, como por exemplo a manutenção das escalas de poder constitucional. O que pode e não podem municípios e estados e o governo federal. O que não dá é, em vista disso, produzir guerra de egos e briga por poder, com insultos via imprensa. São uns cabeças de bagre. Mesmo com a necessidade de seguir as competências das leis - ou tudo vira um pandemônio pior - não dá para ficar esperando medidas burocráticas enquanto pessoas se submetem a riscos graves até de morte por contágio do coronavírus. Perguntarão: então como faz? Reúnam-se essas autoridades eleitas e suas assessorias principais e tomem decisões centralizadas, pombas. É tão difícil assim, ante os imensos recursos tecnológicos de comunicação, portanto sem necessidade de locomoção e aglomeração em salas de reuniões? Pode-se fazer isso até em dimensão global. 

Terceiro: fico chateado de concordar, pois acho que a saúde e a vida são o principal a ser defendido agora. Mas é preciso colocar a cabeça no lugar - ou a bola no chão, como teorizam no futebol e dominar o jogo. E é preciso reconhecer que há coisas por demais drásticas sendo colocadas: parar a economia por completo é ousado acima das realidades. Sabe-se que há grupos de muito menor risco e há cuidados que podem ser aplicados na higienização e seguir regras de contato e convivência. Estes grupos podem trabalhar - os mais jovens. Prova de que isso é possível está no fato de que pessoal da saúde, polícias, bombeiros, coletores de lixo, trabalhadores de supermercados e tantos outros estão aí, nas ruas e nos ambientes, atendendo a sociedade em suas demandas principais. Ou tudo vai à breca de vez. 

Se pode uma parte, por que não pode outra? Basta ter consciência dos devidos cuidados. Isto a população já absorveu. Na marra, com decretação sumária, mas absorveu.

Bom evitar um mal maior.