Cidadania sem méritos e sem nexo (às avessas)

É comum o cidadão reclamar sempre, com razão ou sem razão, de administrações públicas. Assiste razão quando se diz, por exemplo, que o padrão de calçadas, apesar de instituído até por lei, não é cumprido – e, via de conseqüência e por isso mesmo, obviamente não fiscalizado. Neste aspecto, importante admitir que construir calçadas (ou passeios públicos) é atribuição dos proprietários dos terrenos e edificações. Construir muros nas propriedades também. Assim como mantê-los limpos e em condições de não agredir os limitantes e a própria cidade como grupamento social homogêneo. Aqui também há regulação legal e aqui também falta fiscalização rigorosa. Daquela fiscalização orientadora, disciplinadora, impositiva e punitiva, se necessário.

Aliás, construir calçadas pelo simples construir é uma coisa. Há hoje a definição de que todas as calçadas devam ter o piso podotáctil (para deficientes visuais). Se olharmos alguns pisos por aí, veremos que os deficientes vão encontrar ainda mais dificuldades do que se eles não existissem, tais os disparates – como curvas, obstáculos em seu trajeto (até postes, caixas de correio, lixeiras, árvores, cartazes, mesas de bares e restaurantes, cadeiras), ocupação indevida por empresas e moradores e vai por aí. Sem falar dos desníveis acentuados das calçadas, visando favorecer a entrada e saída de veículos.

Noutro aspecto, sabe-se da disciplina vigente de depositar os dejetos produzidos por bares e restaurantes na rua, depois de recolhidos: o horário é após 19 horas para que, a partir das 22 horas, a empresa Ambiental os recolha. Porém, à falta de acondicionamento interno, os bares e os restaurantes os depositam a qualquer hora, inclusive às primeiras horas da manhã e em horas posteriores, tão logo se acumulem – e ficam esses detritos jogados na calçada, causando um impacto visual plenamente negativo. Mas a pauleira canta em cima da empresa de coleta e da prefeitura, até porque poucos – em meio ao povo - conhecem essas obrigações de horários. Todavia ninguém pode afirmar que bares e restaurantes não saibam de suas obrigações. Sabem e muito bem, pois são instruídos sempre sobre isso. Mas é muito melhor jogar o problema pra frente e não cumprir a sua parte. É um mau hábito desta e de outras áreas. Falta ao município impor ordem nisso – punindo exemplarmente quem não segue as regras. Entretanto, seria de bom alvitre distribuir contêineres ou recipientes estrategicamente, para que bares e restaurantes pudessem depositar esses dejetos sem que ficassem à mostra e não só pela aparência, senão também pelo aspecto sanitário.

Mas tem gente que acha mais feio os contêineres do que os sacos de lixo amontoados nas calçadas.