Um pacto conveniente de governabilidade

Governo acena para a oposição. Quer "pacto pela governabilidade". Quando estava com a faca e o queijo na mão, dava uma banana para a oposição. Mas, cá pra nós, que ninguém nos ouça: que oposição? A única oposição real contra o governo, hoje, com alguma força de persuasão prática é o Eduardo Cunha. Não por acaso, tão odiado.

Na verdade, o governo se perdeu sozinho, apesar de tentar inculpar mídia, direita, oposição, o juiz Sérgio Moro. Quem sabe sejam até responsáveis pela insustentabilidade do governo, mas quanto às consequências, não quanto às causas. As causas foram exercidas ao longo do tempo pelo próprio governo, com suas incríveis práticas de corrupção direta e indireta, passiva e ativa, através dos agentes políticos colocados em seu bojo.

No passado, época do mensalão, governo Lula, já houve uma dessas situações: o governo pediu penico pra oposição, que aceitou. Resultado: o governo e Lula se livraram de complicações e partiram para o ataque, com toda sorte de acusações contra as oposições, principalmente o PSDB, mentor do acordo de "governabilidade". Não aprenderam, pelo visto.

Porque o povo está saturado. E é ele, também, que dá a Dilma 71% de rejeição. Número nunca dantes visto "nessepaís". Nem os detestados milicos - nenhum dos cinco (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Figueiredo ou Geisel) chegaram tão baixo na preferência popular. Nem Collor e nem Sarney nos seus piores momentos da era de redemocratização - o primeiro no confisco da poupança e no seu pré-impeachment e o segundo na falência do Plano Cruzado e com a inflação estratosférica de então. 

Todos eles, enquanto fortes e absolutos no comando, mandavam oposição às favas. Depois, pediam penico. Não mudou nada.