A sabedoria e a capacidade de gestão

Quando uns e outros questionam capacidade de gestão e sabedoria administrativa, penso no documento de doação das terras para a construção da Univali, campus de Balneário Camboriú. Lá estava inscrita a obrigação de a universidade construir um hospital para o município, como uma das compensações pela doação. Passados todos esses anos, não ocorreu a construção, como a história ensina com fartura. Voilá! A obrigação inscrita no documento não estipulava prazos, formas e condições. 

E quando uns e outros questionam capacidade de gestão e sabedoria administrativa, penso no documento de retomada da gestão da água e do esgoto da Casan, em 2005. Lá se combinou fornecer água para Camboriú, porém não se estipulou forma, prazos, condições e nem valores - muito menos esses. Contrato público baseado no fio do bigode, uma esquisitice inadmissível, apesar de os dois prefeitos da época serem companheiros de partido - Edinho e Spernau. 

Quando uns e outros questionam capacidade de gestão e sabedoria administrativa, penso que, ao se decidir pela construção de um hospital municipal, deveriam imaginar como sustentá-lo - e então confiaram num milagre inexistente: a de que seria possível o amparo do governo do Estado. Coisa volátil por si mesma. E o concluíram sem quadro de pessoal, sem sistema de esgoto sanitário, sem política de gestão, sem o entorno, sem as licenças sanitárias e sem a lilberação do TCE - que encontrou irregularidades na sua construção, como, aliás, encontrou no semelhante hospital de Biguaçu, que vivencia, neste momento, os mesmos rolos - e vai pelo mesmo caminho.

Nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio.