Vergonha na cara é pedir demais.

O mundo dá voltas e demonstra incoerências às pilhas.

Vejam só: o execradíssimo ex-ministro Delfim Neto, cujos apelidos mais podres imputados pela esquerda e pelo PT governista pulularam por todo o tempo do pós-militarismo a que ele serviu com honras e tempos, agora é um quase-guru do governo e dos petistas, graças à sua opinião contrária às pressões contra a presidente Dilma. 

Virou ídolo.

E o governo, com todos os seus penduricalhos políticos, hoje depende do senador Renan Calheiros, um dos mais notórios representantes da calhordice política nacional, ex-ministro de Collor, no governo que o PT liderou a derrubada na década de 90 por corrupção e malfeitos (hoje meras coisas de trombadinhas, se compararmos com a atualildade). É o conselheiro-mor, o salvador da pátria, a tábua de salvação. Não fosse pelas suas propostas notáveis, como cobrar consultas e atendimentos do SUS e apertar ainda mais o ajuste fiscal, eliminando inclusive ganhos dos trabalhadores, como o PT já faz sem mudar a cor do rosto, impassível - seria imaginável supor que estamos vivendo a época áurea das exceções ditatoriais, em que o governo faz o que quer.

A única conquista desejada, neste quadro, seria vergonha na cara. Mas aí é pedir demais.