A faixa de areia democrática

Todos os anos discute-se a ocupação desenfreada da faixa de areia da orla de Balneário Camboriú por cadeiras e sombrinhas de aluguel, priorizando previamente os espaços nobres para seus clientes e deixando veranistas eventuais com os espaços, digamos, menos conspícuos.

Em muitas praias do mundo, das mais famosas e bem frequentadas, caras até, a ocupação da areia é permitida e controlada por fiscalização pública. Permitem-se cadeiras, espreguiçadeiras, mesas, tendas e outros badulaques e até que se sirva petiscos e alimentos ali. Indo mais perto: no Estaleiro e Estaleirinho é permitido - e, convenhamos, é muito bom. Insubstituível poder encomendar seu almoço e degustá-lo sob seu guarda-sol, com uma cervejota geladíssima, sem as aperturas de um restaurante e sem ter que se deslocar até lá.

Lembro, só por registro, que em Florianópolis do meu tempo, costumava frequentar nos finais de semana as praias da Daniela e Jurerê. Muito comum, então, levar churrasqueira e os ingredientes e assar sua carne ali. Na Daniela havia um canto à direita que, arborizado, permitia até espichar uma rede pra tirar um cochilo. E muitos se amontoavam naquele canto, democratizando as carnes inclusive, um cedendo ao outro um petisco, o que rendia longos papos com pessoas desconhecidas de todos os lugares. Em Jurerê também se permitia. Hoje, não sei. Há décadas não vou lá.

Na nossa Praia Central já se debateu sobre isso, com veementes condenações. A questão é: sou a favor de que se permita, mas esbarramos no exagero e no descumprimento, que sempre ocorre. Tem um pessoal muito abusado aí. Dá-se um dedo, querem a mão; dá-se a mão, querem o braço; dá-se o braço, querem o tronco. E abusam mesmo, na cara dura. E, chamados à atenção, querem briga. Este é o problema - a incivilidade.

Porém, continuo imaginando eu ou você, sentado à beira da praia, num espaço pré-determinado oficialmente, podendo almoçar com o restaurante levando lá sua refeição. Depois de terminado o dia, o restaurante limpando a área e recolhendo e dando destinação ao lixo. Claro, se aprenderem antes a recolher adequadamente e dar o destino correto, na hora certa, ao lixo produzido atualmente, com o seu atendimento normal. Antes disso, fica difícil acreditar e defender uma nova realidade.