Cuidado com a empolgação exagerada na eleição

Há quem, por mera preferência partidária, por teimosia pessoal, por amizade ou por arrogância e espírito de contradição, indique este ou aquele como preferencial para eleger-se prefeito em 2016, dando isso como certo. Mas, se for sincero, verá que as alternativas precisam ser muito bem pesadas na comparação com os demais possíveis candidatos, o quadro geral da eleição, do número de concorrentes, dos nomes dos concorrentes, das probabilidades vistas hoje e jogadas nas perspectivas de amanhã, quem apóia, quais as estruturas colocadas à disposição e que tipo de campanha deverá servir de base para a tentativa de conquistar a eleição.

Em eleição, aparência não vence. Nem desejo, nem papo, nem sequer dinheiro apenas. Nem poder partidário ou de coligação. Ou, para ser popularesco, o “se” não joga. Dois exemplos: Ulysses Guimarães em 1989 e Esperidião Amin em 2006. No primeiro caso, o “Senhor Diretas” de 1985 e o presidente ilustre da Assembleia Nacional Constituinte um ano antes, foi colocado numa vexatória sétima posição, abaixo de Maluf, Mário Covas, Afif Domingos, Lula, Collor e Brizola. Perdeu o gestor maior da redemocratização e entrou aquele que nada representou nessa empreitada. Pelo contrário, foi a sua antítese. Nem o imenso pretenso poder do PMDB serviu. No segundo caso, entre o primeiro e o segundo turno, Amin quase revirou a eleição pelo avesso. Dos 1.073.053 votos do primeiro turno, contra 1.601.181 de LHS, saltou para 1.511.916 contra 1.685.184 de Luiz Henrique. Considerando-se o potencial das coligações, um vexame do vencedor – LHS com PMDB, PFL, PPS, PSDB, PSTB, PTdoB, PAN e PHS e Amin com PP, PMN, PV e Prona.

Em Balneário mesmo se viu isso, em Camboriú e em Itajaí. Aqui, os dois nomes principais da oposição ficaram na poeira na reeleição do prefeito Piriquito, somando menos votos do que na eleição anterior e, em Itajaí, Jandir Bellini enfiou uma margem de diferença superior à soma dos votos de todos os demais candidatos. Em Camboriú, jogaram todas as cartas, pesadas cartas, contra Luzia. Parece ter sido um lenitivo ou um fermento para a sua campanha, pois isso só lhe engordou os votos. Apesar de todos, nos seus primeiros mandatos, terem sido alvo sistemático de todos os tipos de críticas, denúncias e acusações. Por que disso? Só pra dizer que, em eleição, é preciso prestar atenção muito mais nos valores do que nos sentimentos revanchistas. Mesmo a crítica, dependendo do jeito que se diga, pode ser um fator que age contrariamente à sua finalidade. E o poder partidário, se mal direcionado, também não soma, mas diminui.

Aconselha-se a este povaréu empolgado a ir com menos sede ao pote. Podem se lambuzar sem saborear.