2016: bois voarão ?

Analisando a eleição de 2016. Nomes e situações.

As cartas ainda não estão na mesa, em definitivo, mas já há lances. Vamos lá:

O PT, com ou sem bons candidatos, tem uma margem histórica de votos que jamais chegou a quatro mil votos. Nos piores e nos melhores momentos. E este não é um dos melhores. Em nenhuma das eleições fez a menor diferença quanto ao resultado final. Não tirou votos de ninguém. Seu eleitorado é muito específico. E limitado.

O PSDB, considerados parâmetros dos três últimos pleitos na cidade, precisa recuperar muito terreno, se quiser ser páreo. Perdeu duas eleições municipais e a cada uma delas perdeu mais. Na última, em 2012, tomou um vareio de votos, a ponto de levar menos sufrágios do que quatro anos antes, embora tenha colocado na rinha seus melhores galos. Na eleição de 2014, seu nome principal, o guru dos gurus, ficou ao redor dos 15 mil votos na cidade, quase tanto quanto o pesado Dado Cherem quatro anos antes, que pouco passou dos 14 mil. Crescimento vegetativo do eleitorado não foi conquistado. Além disso, mal e porcamente elegeu um vereador, ainda assim porque o candidato tinha cacife próprio – ou também não chegaria. Tratando-se do maior partido da cidade, com seus mais de três mil e quinhentos filiados, um vexame. Não parece ter aprendido as lições, pois hoje continua com a supremacia dos mesmos nomes; nada de novo no front tucano. Renovação zero.

O PSB tem Fabrício Oliveira. Apesar da euforia, consideremos que ele já conquistou a candidatura quando no PSDB e, em dois dias, a perdeu, caroneado para vice de Spernau. É comprovadamente bom de voto em eleição proporcional, nem tanto em eleição majoritária, em que concorreu apenas uma vez. Tem um núcleo adverso dentro das próprias hostes jovens que o apoiaram no passado, quando no PSDB. Quando seu nome foi anunciado, em 2012, choveram críticas na Internet à sua indicação. A Fabrício talvez falte um pouco de traquejo, quem sabe um estudo de postura verbal e um assessoramento mais assíduo na sua agenda e nas suas formulações.

O PR vai de Carlos Humberto Metzner Silva, jovem empresário. É uma promessa interessante, mas chega com a inexperiência da militância política. Verdade que isto pode ser superado no prazo de um ano, entretanto a linguagem árida do técnico precisa ser temperada com a linguagem prática do político. Uma boa assessoria resolve. Tanto quanto Fabrício, por razões inversas, precisa se submeter a isto, a um burilar profissional. Política é ciência, mas eleição é arte.

O PMDB ainda não tem um nome próprio que galvanize. Tipo chegar chegando. Talvez por isso a possibilidade maior é de apoio a um nome com cacife próprio, no caso Fábio Flôr, do PP. Eleição é assim: nem sempre é o que se quer, mas o que é possível e recomendável. Em eleição só há um pecado a não se cometer: perder por errar demais. O PMDB, todavia, é o partido com maior poder de fogo. Primeiro por ter a maior bancada de vereadores e por ser poder. Ninguém será capaz, sob pena de insensatez, de colocar em dúvida a força do prefeito Piriquito, muito acima do próprio partido. Por sinal, nem Pavan o faz, por cautela recomendável.

A todos os candidatos, a recomendação de capricharem nas propostas.

Afinal, política é o imponderável. É, em análise final, esperar o inesperado. A lógica, muita vez, se perde no desenrolar dos fatos. Sempre bom pensar nisso e ir ajustando as velas ao vento que sopra para centrar o rumo.