Estado continua sacaneando Balneário

A necessidade da crítica a quem quer que seja, exercente de função pública, é natural e admissível no regime democrático. Faz parte do DNA da política e nem poderia ser diferente. O que fica complicado é aceitar passivamente o combate político num emaranhado de contradições dos agentes partidários quando, a um só tempo, emitem críticas para um lado e não são capazes de reconhecer as lacunas de suas próprias hostes. E de tentar modificar e exigir que também seus aliados façam aquilo que eles criticam nos adversários.

Acontece em Balneário Camboriú, onde alguns vereadores pertencentes à base aliada do governo do Estado, até do partido do próprio governador, acólitos supostamente fieis, costumam criticar o governo municipal por erros que ocorrem por responsabilidade do governo do Estado. Dois exemplos: segurança e saúde.

A citar, a falta absoluta de apoio do governo do Estado à manutenção do hospital Ruth Cardoso, hoje exclusivamente exercida pelo município, apesar dos atendimentos a vários municípios do Litoral Norte, muito além dos limites das pactuações com o SUS. O governo do Estado tem a cara dura de aceitar e protagonizar a regionalização do hospital de Biguaçu, recém inaugurado, prover recursos especiais para ele (claro, ainda não pagou e o município lá está começando a reclamar e a achar que entrou numa fria, mas...) e ajudar a equipar.

Ao mesmo tempo em que representam o governo do Estado, pois são aliados bastante afoitos na hora de posar para fotos quando se anunciam coisas (e não ocorrem), calam a boca quando os erros do Estado se sucedem e se mantêm no correr do tempo. Na saúde, não só o descaso absoluto e a renitente recusa de ajudar no custeio do Ruth Cardoso, coisa covarde e insana, mas também a situação de Camboriú. Convenhamos, no caso de Camboriú, omissão não só do governo do Estado, mas também do governo federal – que assegurou a construção da UPA e deixou o município à míngua, sem os repasses mensais de manutenção e sem equipamentos. No município vizinho, inclusive, as cirurgias eletivas foram anunciadas como uma grande conquista e o Estado atrasou meses e meses o repasse para o pagamento do trabalho dos médicos e as despesas do hospital da cidade.

Nesse meio tempo, não se ouviu nada dos ilustres vereadores pertencentes ao partido do governador ou da base aliada do governo do Estado – nem daqui e nem de Camboriú – exigindo de Raimundo Colombo o cumprimento ou o repasse. E nem que, sendo oposição no município, são defensores do governo federal.

Na segurança pública o vexame é ainda maior, se é que isso é possível.

Em recente troca de informações com o vereador Pedro Francez, do PSD, partido do governador, falamos disso. Em 9 de abril deste ano, publicou ele na sua página da Internet, a vinda de 26 policiais para cá, cinco para Camboriú e 21 para Balneário. Cobramos isso (imagem anexa) e ele respondeu com um ofício do comando do 12º Batalhão da PM confirmando a vinda de 28 novos policiais para a cidade em agosto. Foi pior a emenda do que o soneto.

No ofício do comando, informa-se que o efetivo em BC é de 136 policiais e que vieram, em 2015, 28 novos policiais para a cidade. Imaginando ter matado a cobra e mostrado o pau, o vereador caiu do cavalo: se considerarmos que o efetivo hoje é de 136 policiais e vieram 28 novos, então tínhamos, na verdade, 108 PMs. É trágico, a ser verdade – e não se pode duvidar da informação do comando.

Como informamos em outras matérias aqui mesmo neste site, em 2000 (informação oficial, do comando), tivemos na cidade um efetivo de 250 policiais militares. Se chegamos a ter 108, há aí um crime político e administrativo sendo cometido contra a cidade pelo Estado e isso pode explicar o clima de violência e criminalidade reinante.

Entretanto, podemos imaginar que houve a manutenção do baixo efetivo em torno de 130/140 PMs na cidade. Os tais “28 novos policiais que chegaram em 2015” foi uma mera reposição de perdas e não aumento de efetivo.

Pobres de nós.