Parque inundável, necessário e renegado

Uma discussão interessante será travada em audiência pública no dia 27 de novembro, 18 horas, na Câmara de Vereadores de Camboriú, sobre a área de implantação de um parque inundável, destinado a reduzir o impacto das enxurradas que atingem bairros de Camboriú e de Balneário Camboriú em épocas de chuvas fortes e persistentes. O efeito da obra beneficará, se concretizado, bairros como Santa Regina, Municípios e Iate Clube.

Trata-se das discussões em torno do Plano Diretor de Camboriú e o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica está convidando à participação, para motivar a aprovação, através de emenda para inclusão de uma área específica destinada à criação de um parque inundável multiuso.

Este parque teria 300 hectares de área e sua principal função seria a detenção de cheias, impedindo a inundação de áreas já urbanizadas, como os bairros acima citados.

Embora alguns tentem, não há comparativo possível com o Parque Linear, de funções muito diferentes. Este é para acumulação – reservação – de água bruta destinada ao abastecimento das duas cidades.

A área inundável do parque multiuso é dezenas de vezes maior que o Parque Linear, é naturalmente inundável, como o é hoje através de pequenas intervenções dos rizicultores, na época do plantio e colheita do arroz irrigável.

Segundo especialistas, a expectativa de tornar essas áreas, por especulação imobiliária, em loteamentos urbanizados, repetindo-se os mesmos erros que permitiram a ocupação de regiões inundáveis. Aduzindo-se que os novos loteamentos  estão sendo aterrados para níveis acima da cota de inundação e, consequentemente, aumentando os níveis de inundação das demais áreas onde estão os loteamentos antigos.

Como o Plano Diretor de Camboriú está sendo revisado, este será o momento crucial para a comunidade definir o rumo que pretende tomar em relação ao planejamento urbano.

Foram mais de cinco anos desmistificando inúmeras resistências que tentaram impedir que este parte se tornasse viável. Mas o maior impedimento será político, se a comunidade não interferir para resolver esse problema crônico da cidade.

Hoje é bastante viável a implantação deste parque: a desapropriação da área, com seus efeitos subsequentes e reconhecidos, seria muito mais barata do que os gastos decorrentes dos efeitos das cheias de 2008.