Ocupação dos espaços públicos para fins privados, os abusos

De repente, a ocupação desenfreada de calçadas e calçadões virou um litígio entre administração, Ministério Público e Justiça com sobras de algumas esquisitices decisórias. O caso das cadeiras esbulhando espaço de pessoas no Calçadão da Central é emblemático. Houve uma permissão para ser controlada e virou bagunça, com bares se adonando do local a seu bel talante. Nem os pisos podotáteis, para deficientes visuais, foram preservados, num flagrante atentado à lógica e ao bom senso. Houve uma ação do MP e a Justiça deu ganho de causa aos bares. 

Por isso há que se ter uma revisão completa nisso tudo, incluindo deques nas calçadas, quiosques e tendas de churros e milhos, passando pelos pontos de aluguel de cadeiras e sombrinhas e incluindo as canchas de bocha. Há toda uma regra a ser seguida no caso dos deques (que aprovamos, até), com vistas a garantir o direito de ir e vir do público, mas a maioria simplesmente fecha tudo, vedando o acesso público mesmo quando os bares e restaurantes estão fechados. Isto é um absurdo.

Ou seja: a permissividade impera desde muitos anos na cidade. Concede-se um favor que vira um direito e se torna irretorquível. Ninguém respeita nada, exceto aquilo que lhe convém ou lhe beneficia diretamente.

Chega a ser irrespirável.