É impossível brigar com fatos

As soluções mágicas, facilmente encontradas por gente que não está com a responsabilidade da decisão e dos respectivos entraves e dificuldades, ponteiam as manifestações políticas com vistas ao processo eleitoral. É sempre mais simples sugerir e encontrar defeitos e apontar saídas quase mágicas quando se está fora do olho do furacão.

Vamos admitir que há erros, pois sem eles ninguém sobrevive em função alguma nesta vida. Todavia, não apenas eles são visados – os erros reais, os insofismáveis. Pior é estabelecer uma linha de ataque a atividades cujas dificuldades são inerentes a fatores externos, independentes de o gestor público querer ou não querer, poder ou não poder. Explicando e exemplificando: uma obra que dependa de financiamento externo ou de outra esfera de poder, de aprovação de licenciamentos. Duas situações emblemáticas: o Centro de Eventos, sem a liberação dos prometidos e comprometidos recursos federais e a Licença Ambiental de Operação do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Balneário Camboriú. No primeiro caso, havia, desde o início, a única garantia do dinheiro federal. De repente, equacionados os recursos do Estado e do Município, aquela verba deixou de ser a certa e passou a ser a dúvida. No segundo caso, desde sempre – quando iniciou o serviço de coleta e tratamento de esgoto, em 1982, inexistiu LAP, LAI ou LAO do sistema. Os problemas se reproduziram ao longo do tempo com toda a força, causando os danos mais profundos possíveis com repercussão até hoje – vide o Canal Marambaia. E nunca, ao que se possa recordar com segurança mínima, houve embargos, notificações, multas, impedimentos de construções sem os licenciamentos devidos, não se combatendo com o devido zelo, agressões ambientais as mais cruéis, cujos efeitos estão aí, acicatando nossa vida. Tudo ao contrário de hoje, exatamente quando as soluções estão encaminhadas, trabalhos sendo feitos no sentido de resolver as pendências ambientais - e então Fatma e outros resolvem cair em cima, cobrando soluções o que não cobravam num tempo de problemas totais. Travando as boas medidas com uma força incrível, muito além das fragilidades e facilitações de antigamente, quando tudo era porcaria - no sentido figurado e lato do termo.

Durante todo o tempo, nesses e noutros casos, muito se criticou. Falava-se, por exemplo, que a cidade precisava de um mínimo sistema cicloviário. Pouco ou quase nada se fez ao longo do tempo. A atual administração, é preciso dizer a bem da verdade, assumiu este papel e privilegiou a cidade com uma malha cicloviária interessante, embora ainda insuficiente. Mas ela, a malha, é tão importante que gerou uma nova realidade, antes impossível: a instalação de empresas de locação de bicicletas, patinetes, patins na cidade – e com intensa movimentação. Antes se negava por pura teimosia e emulação política a importância das ciclofaixas e ciclovias – mormente a da Atlântica – mas hoje é inútil: ela está plenamente aprovada pela população. E somos alvo de boa inveja de outras cidades de SC e até do Brasil.

O quadro de adversidades contra a administração atual vai se acentuar – seja por coisas e fatos existentes e produtos de falhas, seja pela repetição de críticas sobre o que sempre causou espécie: educação, saúde, segurança, saneamento, mobilidade urbana. Talvez seja necessário historiar (e isto vai depender de um bom marketing e uma boa divulgação) e comparar tempos e períodos, o antes e o depois, o ontem e o hoje. O povo, especialmente o eleitor, precisará disso para julgar bem.

Pois ainda existem os que apostam na fragilidade da memória popular ou na confusão de ditos e não ditos. É simples, finalmente: o que é, é; o que foi, foi; o que será, será. É impossível brigar com fatos.