Estacionamento rotativo, o vilão da vez

Discussão na Câmara de Balneário e na Câmara de Itajaí sobre estacionamento rotativo. Na cidade portuária, o preço da hora, que aumentou de valor. Em BC, reclamações sobre conduta dos monitores e dificuldades no uso do sistema de cobrança via Internet, além de outras. Houve quem, mais açodado e radical, sugerisse a simples eliminação do estacionamento rotativo, num desses lampejos de bobagem que costumam surgir nessas ocasiões sobre o assunto.

Os problemas levantados parecem ser pequenos em relação à magnitude do sistema. Tanto em Itajaí quanto em Balneário, os benefícios decorrentes da sua implantação e uso são estratosfericamente maiores do que os eventuais problemas surgidos - que podem ser corrigidos.

Em relacionamento com o novo sistema desde o início, não notamos nada de anormal. Coisa que se resolve com um pouco de boa vontade e compreensão e muito de vontade de cooperar com a cidade. Não são todos que possuem esses atributos na medida certa. O sistema melhorou muito.

Dizer que "é difícil encontrar monitores" ao estacionar e procurar regularizar é bobagem extrema: procure um deles numa só ocasião, cadastre o veículo com um número xis de créditos e está resolvido. Dizem que, algumas vezes (tão poucas e insignificantes que nem seria cabível registrar como um grande impasse) há cobranças indevidas quanto ao tempo, até duplicadas. Adquirimos, em dezembro de 2015, quando o sistema começou, R$ 20 de crédito. Ainda agora, em maio, há saldo na conta e estacionamos várias vezes em vários locais da cidade, ao longo desse tempo. Cobrança eventualmente duplicada se resolve administrativamente, na própria empresa.

O único erro que há, e reconhecível à primeira vista, é acrescer ao sistema áreas ou ruas meramente residenciais, pois o espírito do sistema é a rotatividade em áreas comerciais, para democratizar as vagas de quem precisa ir a vir com seus veículos para comprar ou fazer negócios. Acrescer áreas meramente residenciais é, aí sim, o desejo do lucro pelo lucro - e é injusto.

Isso poderia ser resolvido sem muito estardalhaço (mas, em tempo de eleição, sabe como é...), em conversas diretas com a empresa detentora da concessão e a prefeitura. Solucionado, cessava tudo e se teria o benefício. Não solucionado, aí sim, colocar pressão popular.

No caso de Itajaí, o acréscimo nos valores é contratual. Para os dilemas enfrentados no trânsito e o volume enorme de veículos em trânsito na cidade, é preciso ajeitar melhor as coisas. Se acharmos que R$ 2 é muito, também podemos achar que R$ 1 é pouco. O que se deve exigir, pela lei, é para onde vai o dinheiro. Se estiver sendo devidamente aplicado, com retorno social importante, vale a pena.