Só tem semelhança com o Ruth Cardoso

O hospital municipal de Biguaçu, depois de quatro anos em construção e dezenas de problemas estruturais denunciados antes de entrar em funcionamento, está em crise: emergência fechando e demitindo servidores por falta de dinheiro para a sua manutenção. Ele é igualzinho ao Hospital Ruth Cardoso, em projeto arquitetônico e instalações - mas as semelhanças param aí. Houve erro de concepção dos agentes que o construíram.  

Na época de sua construção, vislumbrando a euforia dos moradores e das autoridades de Biguaçu com a sua construção e, depois, com a sua inauguração e promessas de suporte financeiro do estado e da União, advertimos que se arrependeriam de sua inauguração. Já estão arrependidos, por certo.

Primeiro, porque estava na cara que estado e União não cumpririam. Segundo, porque o município não tem condições de mantê-lo, exceto se despender muita grana do orçamento. E isto, está dito, o prefeito de Biguaçu não está disposto e nem tem como fazer: não tem dinheiro. Mesmo regionalizado, estar dentro do sistema de financiamento do Estado, o hospital de Biguaçu está morrendo. 

Por isso, sempre que alguém cria ou direciona críticas ao Ruth Cardoso, geralmente gente que jamais foi lá, só ouve dizer, é bom lembrar: em outros municípios da região, exceto Itajaí, inexistem hospitais ou, quando os há, tem capacidade menor e não possuem estrutura adequada de atendimento. Tudo vem pro Ruth, coitado. Ou para o Marieta, já saturado, apesar do seu tamanho e da alta grana que rola em seu favor.

O caso do hospital de Biguaçu só plenifica o erro que foi construir um hospital municipal, lá e aqui. o Ruth não deveria ter sido concebido do jeito que foi, com responsabilidade apenas de Balneário Camboriú; construído, não deveria ter sido aberto. De qualquer maneira, hoje ele é uma realidade da qual não se pode mais fugir. Mas ele só sobrevive porque o município coloca pra dentro quase R$ 3,5 milhões por mês. Se fechasse hoje e o município conveniasse com o Isev, por exemplo, um atendimento pelo SUS e colocasse lá dentro R$ 2 milhões mensais, seria lucro. 

Porque, se depender do Estado ou da União para aporte de recursos, tchau.