A raiva do baixo clero e a necessidade de comparar épocas e governos

Há toda uma fúria de adversários do governo atual na retaliação nas mídias sociais, ante a veiculação de peças institucionais mostrando obras e serviços executados ao longo da gestão do prefeito Edson Piriquito. Nada inesperado e nada incompreensível. Neste momento, principalmente nele, há um combate em andamento, quando se estabelecem os primórdios da sucessão municipal.

O detalhe a ser observado é que essa fúria é de elementos do conhecido “baixo clero” ou de ilustres desconhecidos, convocados quem sabe para praticarem justamente este ato de demérito. Porque os papas de oposição evitam meter a cara. A técnica é manjada: o combate fica entre uma rede de rola bostas e os atores principais da rede governista. Os atacantes nada têm a perder, afinal.

Há um remédio eficaz para isto: deixar falar. Até porque, no fim das contas, enquanto há até críticas razoáveis a serem produzidas, há muito pouco a desfazer na realidade de obras efetivamente concretizadas – e que são inegáveis e indesmentíveis. Os mantras de frases feitas e insultos baratos se repetem em todos os casos.

A recomendação para quem ouve ou lê essas observações críticas é simples: comparem a cidade de 10 anos atrás e agora. Pronto, resolvido. Não importa o resultado, pois nem vamos ressaltar as diferenças – basta que o cidadão olhe por si mesmo.

De qualquer modo, há que se estabelecer alguns parâmetros. A cidade ainda não tem o ideal em muitos pontos sociais e estruturais. E continuará não tendo, graças à natural evolução de exigências cada vez maiores e demandas crescentes. A cidade, administrativamente, não é um robô pré-programado, uma peça estática. É, pelo contrário, terrivelmente dinâmica. A tal ponto que, nas discussões do Plano Diretor, especulou-se reduzir seu ritmo de crescimento imobiliário, sob pena de causar um estrangulamento de si mesma (com, por exemplo, a verticalização dos bairros, fator reconhecido até pelo Sinduscon).

Sempre haverá insuficiência de vagas escolares, de vagas em creches, de obras de mobilidade urbana, de saneamento, de saúde, de investimentos. E isto tem uma lógica mortal – pois a cidade cresce em ritmo alucinante. E aí se compare novamente o que era a cidade há 10 anos, em termos de população, edificações, licenciamentos de veículos e movimento econômico.

Algumas realidades: como seria se a Ponte Altamiro Castilho não tivesse sido construída? Como seria se as galerias pluviais não fossem implantadas? Se o tratamento de esgoto não ganhasse melhor qualidade, em níveis superiores a muitos outros municípios do Estado e do Brasil? Se o abastecimento de água não recebesse investimentos vitais para a ampliação do atendimento? Se as ciclovias e ciclofaixas não tivessem sido instaladas na quantidade e qualidade com que o foram? Se a Quarta e a Terceira Avenida não se transformassem num sistema binário de quatro pistas, sem alças de retorno? Se a Avenida Atlântica continuasse com o estacionamento de veículos permitido em sua orla? Se o magistério não tivesse um Plano de Carreira decente? Se não houvesse o PA da Barra? Se o município, apesar do abandono cruel do Estado, não investisse R$ 3,5 milhões mensais no hospital Ruth Cardoso, para manter atendimento de BC e de toda a região – onde, aliás, os hospitais são, aí sim, precários ou inexistentes.

No início do primeiro governo de Edson Piriquito, lá no começo ou até antes mesmo de sua posse, já se profetizava que sua administração atrasaria os pagamentos dos funcionários, a ponto de um desastre social. Isto foi só o começo. O que se viu, durante todo o governo, foi o desmentido peremptório. Porque, em realidade, foi só uma bobagem pensada pela oposição “sainte”. Dentre tantas.

Vão continuar falando de tudo, sem dúvida. Com ou sem razão, isto não importa. E quanto mais próximo da eleição, pior.

Enquanto isso, a retórica dos pretendentes ao governo se sucede com planos teóricos maravilhosos. Nem todos, mas muitos com a preocupação básica de apontar soluções que, no curso de 20 anos, muitos desses oposicionistas nem sequer tiveram a coragem de adotar, pela simples e boa razão de terem medo de enfrentar críticas, preferindo as ações “feijão-com-arroz”, para não comprometer.

Por isso e muito mais, ao ouvir ou ler críticas ou ferocidades explícitas do baixo clero raivoso, comparem no tempo. O que era e o que é.